Cá entre nós, se um eminente cirurgião viesse a público pela televisão ou internet e falasse insistentemente em pulmãos ou coraçãos, qualquer pessoa minimamente informada haveria no mínimo de estranhar, não? Será que um profundo conhecedor de algum assunto cometeria reiteradamente erro tão grosseiro? Parece-me absolutamente implausível.
Agora, quando se trata dos tais dos "illuminatis" (assunto que virou moda e por isso mesmo está fora da minha área de interesse, de passagem se diga), aí o que não falta é palestrante para 'esclarecer' o grande público com seu vasto e respeitável conhecimento, que só não inclui o plural correto do próprio assunto. Illumintis? Haja!
Um sujeito diz por aí que a língua inglesa foi inventada por esses tais 'illuninatis'. Como prova, apresenta o fato de god (deus) em inglês ser dog (cão) de trás pra frente. Pode? E parece convencer. É inacreditável. É pra rir, pra chorar, ou pra conspirar?
Vir a público falar disparates agora é bom? Pois parece.
Delírios assim contam com uma audiência imensa, ávida de informação. Parece que as pessoas estão de bom grado, apaixonada e credulamente engolindo uma quantidade sem precedentes de "fatos" que não resistiriam ao mais superficial exame.
A propósito, você já ouviu dizer que o ano corrente tem uma determinada combinação de dias em certos meses que só se repete uma única vez a cada oitocentos e não sei quantos anos? Mandaram-me (várias pessoas) tal preciosidade por e-mail. De onde diabos tiraram isso? A cada vinte e oito anos o calendário forçosamente se repete. O corrente calendário é exatametne o mesmo de 1955 e 1983, e servirá também para 2039, etc. Bastaria conferir.
Percebo uma incrível disposição coletiva para acreditar em qualquer besteira. E tome besteiras. Talvez uma frase de Schoppenhauer explique o fenômeno. Segundo ele, a quantidade de boatos em que um homem acredita é inversamente proporcional a sua inteligência. Os espalhadores de boatos, os proclamadores de solenes abobrinhas, estes estão deitando e rolando, o mar pra eles está pra peixe, sim. Nunca se deram tão bem porque a crise de inteligênci nunca esteve tão severa.
O exemplário de asnices é tão longo que acho melhor o bonde hoje ir parando por aqui, mesmo.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Repente
Soneto agora, diletantemente
já que a veneta foi de sonetar
sem que uma imagem poética à mente
me venha, e sem que aonde ela esteja eu vá
Soneto agora, como em tempos idos
se sonetasse nem peito teria
para mostrar, nesses tantos sentidos
involução da própria poesia
Mas veja, ilustre passageiro, eu tenho
de empreender nada pequeno empenho
pra alguma coisa aos seus trilhos voltar
Não poeta, mecânico retorno
queira me desculpar pelo transtorno
o nosso bonde vim desenguiçar
já que a veneta foi de sonetar
sem que uma imagem poética à mente
me venha, e sem que aonde ela esteja eu vá
Soneto agora, como em tempos idos
se sonetasse nem peito teria
para mostrar, nesses tantos sentidos
involução da própria poesia
Mas veja, ilustre passageiro, eu tenho
de empreender nada pequeno empenho
pra alguma coisa aos seus trilhos voltar
Não poeta, mecânico retorno
queira me desculpar pelo transtorno
o nosso bonde vim desenguiçar
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Material Escolar
Imagino a quantidade de material escolar produzida e distribuída em todo o território brasileiro em 2010. Não disponho aqui e agora de nenhuns dados estatísticos, mas é certo que foram vários milhões de estudantes, o que significa um volume impressionante de material lamentavelmente inútil, que jamais chegou a ser usado para o fim a que inicialmente se destinava.
Pessoalmente inclusive, observei um bom número de livros escolares que em dezembro ainda pareciam praticamente intactos na casa da maioria dos estudantes que conheço. Nem eles mostravam qualquer sinal de ter sido realmente usados, nem seus respectivos donos apresentavam o menor sinal de neles ter aprendido fosse lá o que fosse. Eram estudantes ‘normais’, em cuja rotina não existe a mínima chance de se incluir algum tempo dedicado a realmente estudar. No máximo, alguma consulta é feita imediatamente antes das avaliações periódicas, quando o material pode conter algo a ser colhido ali muito a contragosto, por necessidade ou desespero.
Quantos livros didáticos foram completamente relegados ao esquecimento durante o período letivo? Não sei quem, se alguém, tem os números, mas é certo que foram lamentavelmente muitos. Eu diria que a maior parte deles. E o resultado é alarmante. Esta generalizada negligência coletiva facilmente se vê refletida no obviamente pouco que de fato aprenderam os estudantes, em todos os níveis. A pobreza, a insuficiência dos conhecimentos acumulados por eles salta aos olhos.
Quem haveria de estranhar o fato de médicos, dentistas, padeiros, pedreiros, enfim todos os trabalhadores em atividade realmente usarem seus respectivos materiais e instrumentos de trabalho de maneira intensiva e em base diária? Ninguém, pois isto é absolutamente normal. Isto é bem o que de todos eles se espera. Nem se compreende que assim não seja.
Agora, por que cargas d’água então estudante que realmente estuda virou coisa tão rara?
Um doce pra quem souber.
Pessoalmente inclusive, observei um bom número de livros escolares que em dezembro ainda pareciam praticamente intactos na casa da maioria dos estudantes que conheço. Nem eles mostravam qualquer sinal de ter sido realmente usados, nem seus respectivos donos apresentavam o menor sinal de neles ter aprendido fosse lá o que fosse. Eram estudantes ‘normais’, em cuja rotina não existe a mínima chance de se incluir algum tempo dedicado a realmente estudar. No máximo, alguma consulta é feita imediatamente antes das avaliações periódicas, quando o material pode conter algo a ser colhido ali muito a contragosto, por necessidade ou desespero.
Quantos livros didáticos foram completamente relegados ao esquecimento durante o período letivo? Não sei quem, se alguém, tem os números, mas é certo que foram lamentavelmente muitos. Eu diria que a maior parte deles. E o resultado é alarmante. Esta generalizada negligência coletiva facilmente se vê refletida no obviamente pouco que de fato aprenderam os estudantes, em todos os níveis. A pobreza, a insuficiência dos conhecimentos acumulados por eles salta aos olhos.
Quem haveria de estranhar o fato de médicos, dentistas, padeiros, pedreiros, enfim todos os trabalhadores em atividade realmente usarem seus respectivos materiais e instrumentos de trabalho de maneira intensiva e em base diária? Ninguém, pois isto é absolutamente normal. Isto é bem o que de todos eles se espera. Nem se compreende que assim não seja.
Agora, por que cargas d’água então estudante que realmente estuda virou coisa tão rara?
Um doce pra quem souber.
domingo, 31 de outubro de 2010
Novidades Genéricas
Para qualquer tipo se serviço que utilizo, a competência e as qualificações d@ profissional que me atenderá são só o que me importa. Nessa hora, mal percebo se há ou não diferença entre os sexos. Só quero que o profissional seja bom, ou boa (no sentido estritamente profissional).
Na verdade nunca simpatizei muito foi com a ideia de mulher mandando, não no governo do meu país ou ocupando cargos de chefia em qualquer organização, mas mandando direta e pessoalmente mim. Aí não há entendimento.
Mas nossa sucessão presidencial teve por primeira vez duas mulheres na disputa, uma delas vencendo no segundo turno.
Quanto a mandar no governo do meu país, aí a história já pode ser bem outra. Nunca achei que saias (ou calças, por falar nisso) constituíssem, em si, qualquer garantia em nenhum governo. O que conta para bem governar, a meu ver, teria muito pouco que ver com diferenças pessoais puramente biológicas, tirante o fato de a presença de mulheres nos altos escalões ser raridade, ainda.
No topo do executivo brasileiro, a presença feminina é uma novidade sem precedentes históricos, que só posso receber com minhas mais calorosas boas vindas.
E que faça um bom governo. O fato de agora ser uma mulher continua me parecendo praticamente irrelevante, em vista do que a cosa toda é, em que pese o talvez injustificável ineditismo.
Seja então bem vinda, presidente (ou presidenta) Dilma.
Na verdade nunca simpatizei muito foi com a ideia de mulher mandando, não no governo do meu país ou ocupando cargos de chefia em qualquer organização, mas mandando direta e pessoalmente mim. Aí não há entendimento.
Mas nossa sucessão presidencial teve por primeira vez duas mulheres na disputa, uma delas vencendo no segundo turno.
Quanto a mandar no governo do meu país, aí a história já pode ser bem outra. Nunca achei que saias (ou calças, por falar nisso) constituíssem, em si, qualquer garantia em nenhum governo. O que conta para bem governar, a meu ver, teria muito pouco que ver com diferenças pessoais puramente biológicas, tirante o fato de a presença de mulheres nos altos escalões ser raridade, ainda.
No topo do executivo brasileiro, a presença feminina é uma novidade sem precedentes históricos, que só posso receber com minhas mais calorosas boas vindas.
E que faça um bom governo. O fato de agora ser uma mulher continua me parecendo praticamente irrelevante, em vista do que a cosa toda é, em que pese o talvez injustificável ineditismo.
Seja então bem vinda, presidente (ou presidenta) Dilma.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Outra de Roda
Fiquei cada vez mais pobre
de marré, como desci!
Seu Colombo, me descobre
Nesse canto aqui!
Claro que bem-vindo é, vindo
sem demora, sem tardar
e pra me deixar sorrindo
toma lá, dá cá
Quem não chora, não pranteia
não tem como entender, não
sendo de barriga cheia
quede coração?
Nasci pobre, pobre, pobre
de marre, maré nasci
parte rude, parte nobre
dá nisso daqui!
Sustenido noutras rodas
tive algum lugar ao sol
circulei, de ver as modas
terminei bemol
Só por conta do que vim
aprendendo sem parar
pude o bom, pude o ruim
experimentar
Na escalada social
Alpinismo até tentei
Mas o salto era mortal
então despenquei
Meu ofício é de escrever
Só conheço quem não lê
Não sei nada mais fazer
Vou viver de que?
de marré, como desci!
Seu Colombo, me descobre
Nesse canto aqui!
Claro que bem-vindo é, vindo
sem demora, sem tardar
e pra me deixar sorrindo
toma lá, dá cá
Quem não chora, não pranteia
não tem como entender, não
sendo de barriga cheia
quede coração?
Nasci pobre, pobre, pobre
de marre, maré nasci
parte rude, parte nobre
dá nisso daqui!
Sustenido noutras rodas
tive algum lugar ao sol
circulei, de ver as modas
terminei bemol
Só por conta do que vim
aprendendo sem parar
pude o bom, pude o ruim
experimentar
Na escalada social
Alpinismo até tentei
Mas o salto era mortal
então despenquei
Meu ofício é de escrever
Só conheço quem não lê
Não sei nada mais fazer
Vou viver de que?
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Festas, Estas e Outras
Tem vezes que por qualquer razão a gente não está em clima festivo, mas o tempo institucionalizado pra alguma comemoração chega.
Pessoalmente, não sou lá muito chegado a participar nem de tradições, nem de comemorações, principalmente das religiosas. Sempre digo: Religião? Pelo amor de Deus, N Ã Ã Ã Ã O!
Tenho cá meus motivos. Em verdade, muito em verdade, não sou ateu.
Só fujo feito o diabo da cruz daquelas intermináveis (e sempre inconcludentes) discussões sobre, por exemplo, a existência ou não de um ser de inteligência superior, criador do universo, justo, bom e tudo o mais, a que chamamos Deus.
A ideia de alguma divindade parece estar presente em todas as culturas de todos os lugares e tempos, sem exceção. Um fato.
Nada tenho absolutamente contra crença nenhuma, muito menos contra quem professe seja qual for a fé. Respeito-as todas e ponto. Admiro a beleza e reverencio a profundidade dos textos milenares que muitos consideram ou já consideraram sagrados, dos quais tive oportunidade de tomar conhecimento. Passei a vida inteira lendo e relendo-os. De certa forma promovo a edificação da minha pequena sabedoria com isto. E a Bíblia é, de longe, meu favorito. Acredito que só tive a lucrar com esse tipo de leitura. E só. Não adiro a nenhuma linha, não pertenço a nenhum grupo organizado ou não. Não propagendeio nem me oponho a nenhuma fé.
Escolhi conservar-me em pleno gozo das prerrogativas de livre pensador. Abrir mão da liberdade de pensamento é algo completamente fora de cogitação, para mim.
Sou apenas humano, finito, mortal como aliás todo mundo também é, independentemente de por que cartilha reze, de no quê acredite ou deixe de acreditar, e consequentemente de todos os desentendimentos teológicos e doutrinários que de Deus não me parecem ter absolutamente nada. Simples assim.
Quanto a chegar ao ponto de ter qualquer coisa prévia contra alguém que nem sequer conheço, nada me deve nem nada fez contra mim, só porque não compartilha de minhas ideias religiosas, Deus me livre e guarde disso. Falar em Deus e na maior cara de pau praticar todo tipo da mais doente intolerância em nome dele (como se a dizer: o meu é o único Deus certo e verdadeiro e eu sou seu emissário, e quero porque quero que todos me ouçam a mensagem inspirada e autorizada, concordem instantaneamente comigo e passem a fazer tudo conforme eu disser, ou vão pro inferno), é disso que estou definitivamente fora.
Este ano, para mim, o Natal teve o mesmíssimo número de horas que todos os outros dias, nele o sol nasceu no leste e morreu no oeste como de costume, houve nascimentos e mortes, risos e lágrimas, lucros e prejuízos, o mundo girou na mesma direção e à mesma velocidade que já girava há milênios, pra não falar da febre consumista, das comilanças, das bebedeiras, das tagarelices. Que diferença, afinal?
Quanto ao aniversariante, acredito que ele merece e pode ser homenageado não só no dia convencionado ad hoc, mas também em qualquer outro, e nas mais variadas formas.
Pessoalmente, não sou lá muito chegado a participar nem de tradições, nem de comemorações, principalmente das religiosas. Sempre digo: Religião? Pelo amor de Deus, N Ã Ã Ã Ã O!
Tenho cá meus motivos. Em verdade, muito em verdade, não sou ateu.
Só fujo feito o diabo da cruz daquelas intermináveis (e sempre inconcludentes) discussões sobre, por exemplo, a existência ou não de um ser de inteligência superior, criador do universo, justo, bom e tudo o mais, a que chamamos Deus.
A ideia de alguma divindade parece estar presente em todas as culturas de todos os lugares e tempos, sem exceção. Um fato.
Nada tenho absolutamente contra crença nenhuma, muito menos contra quem professe seja qual for a fé. Respeito-as todas e ponto. Admiro a beleza e reverencio a profundidade dos textos milenares que muitos consideram ou já consideraram sagrados, dos quais tive oportunidade de tomar conhecimento. Passei a vida inteira lendo e relendo-os. De certa forma promovo a edificação da minha pequena sabedoria com isto. E a Bíblia é, de longe, meu favorito. Acredito que só tive a lucrar com esse tipo de leitura. E só. Não adiro a nenhuma linha, não pertenço a nenhum grupo organizado ou não. Não propagendeio nem me oponho a nenhuma fé.
Escolhi conservar-me em pleno gozo das prerrogativas de livre pensador. Abrir mão da liberdade de pensamento é algo completamente fora de cogitação, para mim.
Sou apenas humano, finito, mortal como aliás todo mundo também é, independentemente de por que cartilha reze, de no quê acredite ou deixe de acreditar, e consequentemente de todos os desentendimentos teológicos e doutrinários que de Deus não me parecem ter absolutamente nada. Simples assim.
Quanto a chegar ao ponto de ter qualquer coisa prévia contra alguém que nem sequer conheço, nada me deve nem nada fez contra mim, só porque não compartilha de minhas ideias religiosas, Deus me livre e guarde disso. Falar em Deus e na maior cara de pau praticar todo tipo da mais doente intolerância em nome dele (como se a dizer: o meu é o único Deus certo e verdadeiro e eu sou seu emissário, e quero porque quero que todos me ouçam a mensagem inspirada e autorizada, concordem instantaneamente comigo e passem a fazer tudo conforme eu disser, ou vão pro inferno), é disso que estou definitivamente fora.
Este ano, para mim, o Natal teve o mesmíssimo número de horas que todos os outros dias, nele o sol nasceu no leste e morreu no oeste como de costume, houve nascimentos e mortes, risos e lágrimas, lucros e prejuízos, o mundo girou na mesma direção e à mesma velocidade que já girava há milênios, pra não falar da febre consumista, das comilanças, das bebedeiras, das tagarelices. Que diferença, afinal?
Quanto ao aniversariante, acredito que ele merece e pode ser homenageado não só no dia convencionado ad hoc, mas também em qualquer outro, e nas mais variadas formas.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Caim, Caim!
Toca a labuta, filho, dá pouca atenção
ladrar ante a caravana, ah, se vão!
Nem pode dar outra, fazer o que?
Ladrar é coisa cão!
Ladram que ladram, cadê que mordem?
tão miseráveis, que só se ... coçam, de tão
mordidos que estão, de pulga, e daí
sua burra malcriação
O papel deles é esse mesmo, ladram
à toa, ladram a esmo, ladram
porque, afinal são cães, e jamais
de sê-lo eles deixarão
ladrar ante a caravana, ah, se vão!
Nem pode dar outra, fazer o que?
Ladrar é coisa cão!
Ladram que ladram, cadê que mordem?
tão miseráveis, que só se ... coçam, de tão
mordidos que estão, de pulga, e daí
sua burra malcriação
O papel deles é esse mesmo, ladram
à toa, ladram a esmo, ladram
porque, afinal são cães, e jamais
de sê-lo eles deixarão
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