Está fazendo quatro anos que esse nosso Bonde (inaugurado em maio de 2008) percorre seus trilhos. Bem ou mal, ele está Andando.
Até aqui, foram quarenta e uma postagens no total (o que dá um pouco abaixo de uma por mês, na média) distribuídas muito irregularmente entre os períodos de atividade mais ou menos intensa e os de completa paralisação.
Pelo número de visualizações de página, acredito que ele se ache mais ou menos a meio caminho entre um estrondoso sucesso da blogosfera e um blog completamente ignorado. Nada mal, em qualquer caso. E os assentos ocupados por passageiros regulares já chegam a 99. Ê!
Tem início agora, então, o quinto ano de Blogspot com este primogênito Bonde e seus três irmãos mais jovens, ("Lexicografia" [23 postagens, 52 seguidores], "Me and My English" [20 postagens, 10 seguidores] e "En Français Aussi, Pourquoi Pas?" [14 postagens, 18 seguidores]). É irregularidade pra valer, irregularidade ... pra ninguém botar defeito.
O total de visualizações a meu perfil ainda não atingiu a cifra alcançada pelo Veleidades, que mantive por nada mais que um ano no extinto Globo Online.
Inicialmente, fiz deste Bonde um arquivo pessoal para as coisas que espontaneamente vou escrevendo, conforme o momento. Pessoal mas também público. Basicamente, firmei um compromisso tácito de aqui publicar sempre textos, somente textos, nada mais que textos. Nada de fotos, nada de vídeos, nada de mais nada. Nem sequer uma apresentação mais sofisticada dos próprios textos, com uso de html, opções de fontes, cor, tamanho, movimento, emoticons, nada. Pura, purissimamente, uma amostra do que posso oferecer como leitura a estes passageiros a quem sou todo agradecimentos. Não se trata nem minimamente de objeção minha essas coisas. Na verdade eu as aprecio, e até bastante em determinados casos. Só que desde a primeira postagem, nunca tive a mínima preocupação de natureza 'decorativa' com este espaço. Optei por cuidar dele de outra maneira e acho que é só isso. O próprio nome do blog tem que ver com meu relativamente tardio ingresso na blogosfera.
No interagir com os prezados colegas blogueiros, fui criando ou adotando certos critérios para a própria blogagem. Nada de muito rígido. Por exemplo, se algum comentarista incia um diálogo aqui no blog, é também aqui que costumo responder. Via de regra, repito suas próprias palavras de despedida, quando é o caso. Abraço=abraço, beijo=beijo, e por aí vai. A leitura e a consequente interpretação ou as impressões de cada leitor sobre o que escrevo são invariavelmente enriquecedoras das minhas próprias, sempre agregam valor e são evidentemente muito bem vindas.
Muitas das pessoas que aqui chegam eu só conheço virtualmente. A estas, não faço uma ideia muito clara de que impressões pessoais transmito. O que suponho já ter deixado desde o início clara e inequívoca é minha pretensão de ser tão bom condutor e anfitrião quanto posso. O bonde merece.
Hoje dou virtualmente uma festa no Bonde
É chegada a parada pra comemorar
Ergo o brinde, e cem taças que estão nem sei onde
Batem cá um tim tim que começo a escutar
Quatro anos de estar ora longe ora perto
Ora aqui, ora aí, ora até de não estar
Quatro anos de braços, coração aberto
Quatro anos nos trilhos, sem descarrilar
terça-feira, 1 de maio de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Uma Homenagem Póstuma
Nosso Bonde começou a circular faz quase três anos. Nunca publiquei nada aqui que não fosse integralmente de minha autoria. Mas hoje abro mão deste princípio para inserir um monólogo do qual gosto muito. Lá vai:
MONÓLOGO MUNDO MODERNO
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
MONÓLOGO MUNDO MODERNO
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
sábado, 10 de setembro de 2011
Joshua Bell no metrô
Joshua Bell é um músico ainda relativamente jovem mas já bem consagrado. Ele normalmente se apresenta para apreciadores de boa música em lugares altamente sofisticados com seu extremamente raro, caro e bem tocado violino.
Recentemente ele tocou por mais de meia hora numa estação de metrô americana. Não foi reconhecido nem conseguiu arrebatar a atenção dos que entravam e saíam com a pressa costumeira.
Reconhece-se o grande valor artístico de algo (ou alguém) que se encontra dentro de determinado contexto. Fora dele, no entanto, um artista renomado passa facilmente por um obscuro aspirante à notoriedade.
Se um chef dos mais exitosos do mundo passasse coisa de uma hora dentro de um quiosque bem simples numa esquina movimentada de qualquer metrópole oferecendo amostras de suas requintadas iguarias, será que elas seriam devidamente apreciadas? Se um detentor do prêmio Nobel aparecesse sozinho numa praça e discursasse sem dizer quem era nem mencionar seu prêmio, será que muitos parariam para ouvi-lo? Sabe-se lá.
Márcio Borges conta em livro um episódio ocorrido com Milton Nascimento. Sem documentos, ele teve problemas na entrada para um mega evento do qual participou, no Rio de Janeiro. Segundo um dos escaldados seguranças, parece que vários sósias já haviam tentado se aproveitar da semelhança (reforçada por um boné) para não pagar ingresso. Claro que o verdadeiro Milton acabou entrando, mas dadas as circunstâncias não foi com a facilidade que se poderia razoavelmente esperar.
Conta-se que Charlie Chaplin participou incógnito de um concurso de sósias de seu personagem. Foi ao evento caracterizado, inscreveu-se normalmente e... perdeu. Fazer o que? Outros concorrentes se pareciam mais com Carlitos do que seu próprio criador.
É sabido que as estrelas midiáticas costumam recorrer a variados disfarces para evitar o indesejado reconhecimento em certos lugares públicos. São atletas, políticos, artistas, empresários, que vivem fugindo de paparazzi.
Entretanto, existem notoriedades discretas. Por exemplo, cada uma das tantas especialidades da medicina tem seu expoente, mas quem é que sabe o nome de um notável alergologista, urologista, obstetra, traumatologista, e olha que a lista é longa. Pergunte por aí quantos juízes do trabalho as pessoas conhecem por nome, fora um certo Nicolau de avô homônimo. Muito improvável.
Acho possível que a experiência com Joshua Bell e seu violino tivesse igual resultado com Ana Vidovic e seu violão, ou até com Kenny G e seu sax (desde que ele não tocasse o tema de Dying Young). Fora do habitual contexto, bem que poderiam igualmente ficar irreconhecíveis e não ser lá muito apreciados.
Foi graças a um e-mal que recebi de minha amiga escritora, artista plástica e também passageira aqui do bonde Terê Tavares que fiquei sabendo deste grande artista. Gostei do que vi e ouvi por primeira vez na vida. Se tivesse um tempinho e me achasse exatamente onde se deu a mencionada apresentação, pelo que me conheço tenho certeza que me deteria nem que só um pouco para apreciar. Faço isso sempre que algum artista anônimo de rua mostra alguma coisa que me pareça interessante. Muita vez é mesmo.
Recentemente ele tocou por mais de meia hora numa estação de metrô americana. Não foi reconhecido nem conseguiu arrebatar a atenção dos que entravam e saíam com a pressa costumeira.
Reconhece-se o grande valor artístico de algo (ou alguém) que se encontra dentro de determinado contexto. Fora dele, no entanto, um artista renomado passa facilmente por um obscuro aspirante à notoriedade.
Se um chef dos mais exitosos do mundo passasse coisa de uma hora dentro de um quiosque bem simples numa esquina movimentada de qualquer metrópole oferecendo amostras de suas requintadas iguarias, será que elas seriam devidamente apreciadas? Se um detentor do prêmio Nobel aparecesse sozinho numa praça e discursasse sem dizer quem era nem mencionar seu prêmio, será que muitos parariam para ouvi-lo? Sabe-se lá.
Márcio Borges conta em livro um episódio ocorrido com Milton Nascimento. Sem documentos, ele teve problemas na entrada para um mega evento do qual participou, no Rio de Janeiro. Segundo um dos escaldados seguranças, parece que vários sósias já haviam tentado se aproveitar da semelhança (reforçada por um boné) para não pagar ingresso. Claro que o verdadeiro Milton acabou entrando, mas dadas as circunstâncias não foi com a facilidade que se poderia razoavelmente esperar.
Conta-se que Charlie Chaplin participou incógnito de um concurso de sósias de seu personagem. Foi ao evento caracterizado, inscreveu-se normalmente e... perdeu. Fazer o que? Outros concorrentes se pareciam mais com Carlitos do que seu próprio criador.
É sabido que as estrelas midiáticas costumam recorrer a variados disfarces para evitar o indesejado reconhecimento em certos lugares públicos. São atletas, políticos, artistas, empresários, que vivem fugindo de paparazzi.
Entretanto, existem notoriedades discretas. Por exemplo, cada uma das tantas especialidades da medicina tem seu expoente, mas quem é que sabe o nome de um notável alergologista, urologista, obstetra, traumatologista, e olha que a lista é longa. Pergunte por aí quantos juízes do trabalho as pessoas conhecem por nome, fora um certo Nicolau de avô homônimo. Muito improvável.
Acho possível que a experiência com Joshua Bell e seu violino tivesse igual resultado com Ana Vidovic e seu violão, ou até com Kenny G e seu sax (desde que ele não tocasse o tema de Dying Young). Fora do habitual contexto, bem que poderiam igualmente ficar irreconhecíveis e não ser lá muito apreciados.
Foi graças a um e-mal que recebi de minha amiga escritora, artista plástica e também passageira aqui do bonde Terê Tavares que fiquei sabendo deste grande artista. Gostei do que vi e ouvi por primeira vez na vida. Se tivesse um tempinho e me achasse exatamente onde se deu a mencionada apresentação, pelo que me conheço tenho certeza que me deteria nem que só um pouco para apreciar. Faço isso sempre que algum artista anônimo de rua mostra alguma coisa que me pareça interessante. Muita vez é mesmo.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Ab-obrinhas ad nauseam
Cá entre nós, se um eminente cirurgião viesse a público pela televisão ou internet e falasse insistentemente em pulmãos ou coraçãos, qualquer pessoa minimamente informada haveria no mínimo de estranhar, não? Será que um profundo conhecedor de algum assunto cometeria reiteradamente erro tão grosseiro? Parece-me absolutamente implausível.
Agora, quando se trata dos tais dos "illuminatis" (assunto que virou moda e por isso mesmo está fora da minha área de interesse, de passagem se diga), aí o que não falta é palestrante para 'esclarecer' o grande público com seu vasto e respeitável conhecimento, que só não inclui o plural correto do próprio assunto. Illumintis? Haja!
Um sujeito diz por aí que a língua inglesa foi inventada por esses tais 'illuninatis'. Como prova, apresenta o fato de god (deus) em inglês ser dog (cão) de trás pra frente. Pode? E parece convencer. É inacreditável. É pra rir, pra chorar, ou pra conspirar?
Vir a público falar disparates agora é bom? Pois parece.
Delírios assim contam com uma audiência imensa, ávida de informação. Parece que as pessoas estão de bom grado, apaixonada e credulamente engolindo uma quantidade sem precedentes de "fatos" que não resistiriam ao mais superficial exame.
A propósito, você já ouviu dizer que o ano corrente tem uma determinada combinação de dias em certos meses que só se repete uma única vez a cada oitocentos e não sei quantos anos? Mandaram-me (várias pessoas) tal preciosidade por e-mail. De onde diabos tiraram isso? A cada vinte e oito anos o calendário forçosamente se repete. O corrente calendário é exatametne o mesmo de 1955 e 1983, e servirá também para 2039, etc. Bastaria conferir.
Percebo uma incrível disposição coletiva para acreditar em qualquer besteira. E tome besteiras. Talvez uma frase de Schoppenhauer explique o fenômeno. Segundo ele, a quantidade de boatos em que um homem acredita é inversamente proporcional a sua inteligência. Os espalhadores de boatos, os proclamadores de solenes abobrinhas, estes estão deitando e rolando, o mar pra eles está pra peixe, sim. Nunca se deram tão bem porque a crise de inteligênci nunca esteve tão severa.
O exemplário de asnices é tão longo que acho melhor o bonde hoje ir parando por aqui, mesmo.
Agora, quando se trata dos tais dos "illuminatis" (assunto que virou moda e por isso mesmo está fora da minha área de interesse, de passagem se diga), aí o que não falta é palestrante para 'esclarecer' o grande público com seu vasto e respeitável conhecimento, que só não inclui o plural correto do próprio assunto. Illumintis? Haja!
Um sujeito diz por aí que a língua inglesa foi inventada por esses tais 'illuninatis'. Como prova, apresenta o fato de god (deus) em inglês ser dog (cão) de trás pra frente. Pode? E parece convencer. É inacreditável. É pra rir, pra chorar, ou pra conspirar?
Vir a público falar disparates agora é bom? Pois parece.
Delírios assim contam com uma audiência imensa, ávida de informação. Parece que as pessoas estão de bom grado, apaixonada e credulamente engolindo uma quantidade sem precedentes de "fatos" que não resistiriam ao mais superficial exame.
A propósito, você já ouviu dizer que o ano corrente tem uma determinada combinação de dias em certos meses que só se repete uma única vez a cada oitocentos e não sei quantos anos? Mandaram-me (várias pessoas) tal preciosidade por e-mail. De onde diabos tiraram isso? A cada vinte e oito anos o calendário forçosamente se repete. O corrente calendário é exatametne o mesmo de 1955 e 1983, e servirá também para 2039, etc. Bastaria conferir.
Percebo uma incrível disposição coletiva para acreditar em qualquer besteira. E tome besteiras. Talvez uma frase de Schoppenhauer explique o fenômeno. Segundo ele, a quantidade de boatos em que um homem acredita é inversamente proporcional a sua inteligência. Os espalhadores de boatos, os proclamadores de solenes abobrinhas, estes estão deitando e rolando, o mar pra eles está pra peixe, sim. Nunca se deram tão bem porque a crise de inteligênci nunca esteve tão severa.
O exemplário de asnices é tão longo que acho melhor o bonde hoje ir parando por aqui, mesmo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Repente
Soneto agora, diletantemente
já que a veneta foi de sonetar
sem que uma imagem poética à mente
me venha, e sem que aonde ela esteja eu vá
Soneto agora, como em tempos idos
se sonetasse nem peito teria
para mostrar, nesses tantos sentidos
involução da própria poesia
Mas veja, ilustre passageiro, eu tenho
de empreender nada pequeno empenho
pra alguma coisa aos seus trilhos voltar
Não poeta, mecânico retorno
queira me desculpar pelo transtorno
o nosso bonde vim desenguiçar
já que a veneta foi de sonetar
sem que uma imagem poética à mente
me venha, e sem que aonde ela esteja eu vá
Soneto agora, como em tempos idos
se sonetasse nem peito teria
para mostrar, nesses tantos sentidos
involução da própria poesia
Mas veja, ilustre passageiro, eu tenho
de empreender nada pequeno empenho
pra alguma coisa aos seus trilhos voltar
Não poeta, mecânico retorno
queira me desculpar pelo transtorno
o nosso bonde vim desenguiçar
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Material Escolar
Imagino a quantidade de material escolar produzida e distribuída em todo o território brasileiro em 2010. Não disponho aqui e agora de nenhuns dados estatísticos, mas é certo que foram vários milhões de estudantes, o que significa um volume impressionante de material lamentavelmente inútil, que jamais chegou a ser usado para o fim a que inicialmente se destinava.
Pessoalmente inclusive, observei um bom número de livros escolares que em dezembro ainda pareciam praticamente intactos na casa da maioria dos estudantes que conheço. Nem eles mostravam qualquer sinal de ter sido realmente usados, nem seus respectivos donos apresentavam o menor sinal de neles ter aprendido fosse lá o que fosse. Eram estudantes ‘normais’, em cuja rotina não existe a mínima chance de se incluir algum tempo dedicado a realmente estudar. No máximo, alguma consulta é feita imediatamente antes das avaliações periódicas, quando o material pode conter algo a ser colhido ali muito a contragosto, por necessidade ou desespero.
Quantos livros didáticos foram completamente relegados ao esquecimento durante o período letivo? Não sei quem, se alguém, tem os números, mas é certo que foram lamentavelmente muitos. Eu diria que a maior parte deles. E o resultado é alarmante. Esta generalizada negligência coletiva facilmente se vê refletida no obviamente pouco que de fato aprenderam os estudantes, em todos os níveis. A pobreza, a insuficiência dos conhecimentos acumulados por eles salta aos olhos.
Quem haveria de estranhar o fato de médicos, dentistas, padeiros, pedreiros, enfim todos os trabalhadores em atividade realmente usarem seus respectivos materiais e instrumentos de trabalho de maneira intensiva e em base diária? Ninguém, pois isto é absolutamente normal. Isto é bem o que de todos eles se espera. Nem se compreende que assim não seja.
Agora, por que cargas d’água então estudante que realmente estuda virou coisa tão rara?
Um doce pra quem souber.
Pessoalmente inclusive, observei um bom número de livros escolares que em dezembro ainda pareciam praticamente intactos na casa da maioria dos estudantes que conheço. Nem eles mostravam qualquer sinal de ter sido realmente usados, nem seus respectivos donos apresentavam o menor sinal de neles ter aprendido fosse lá o que fosse. Eram estudantes ‘normais’, em cuja rotina não existe a mínima chance de se incluir algum tempo dedicado a realmente estudar. No máximo, alguma consulta é feita imediatamente antes das avaliações periódicas, quando o material pode conter algo a ser colhido ali muito a contragosto, por necessidade ou desespero.
Quantos livros didáticos foram completamente relegados ao esquecimento durante o período letivo? Não sei quem, se alguém, tem os números, mas é certo que foram lamentavelmente muitos. Eu diria que a maior parte deles. E o resultado é alarmante. Esta generalizada negligência coletiva facilmente se vê refletida no obviamente pouco que de fato aprenderam os estudantes, em todos os níveis. A pobreza, a insuficiência dos conhecimentos acumulados por eles salta aos olhos.
Quem haveria de estranhar o fato de médicos, dentistas, padeiros, pedreiros, enfim todos os trabalhadores em atividade realmente usarem seus respectivos materiais e instrumentos de trabalho de maneira intensiva e em base diária? Ninguém, pois isto é absolutamente normal. Isto é bem o que de todos eles se espera. Nem se compreende que assim não seja.
Agora, por que cargas d’água então estudante que realmente estuda virou coisa tão rara?
Um doce pra quem souber.
domingo, 31 de outubro de 2010
Novidades Genéricas
Para qualquer tipo se serviço que utilizo, a competência e as qualificações d@ profissional que me atenderá são só o que me importa. Nessa hora, mal percebo se há ou não diferença entre os sexos. Só quero que o profissional seja bom, ou boa (no sentido estritamente profissional).
Na verdade nunca simpatizei muito foi com a ideia de mulher mandando, não no governo do meu país ou ocupando cargos de chefia em qualquer organização, mas mandando direta e pessoalmente mim. Aí não há entendimento.
Mas nossa sucessão presidencial teve por primeira vez duas mulheres na disputa, uma delas vencendo no segundo turno.
Quanto a mandar no governo do meu país, aí a história já pode ser bem outra. Nunca achei que saias (ou calças, por falar nisso) constituíssem, em si, qualquer garantia em nenhum governo. O que conta para bem governar, a meu ver, teria muito pouco que ver com diferenças pessoais puramente biológicas, tirante o fato de a presença de mulheres nos altos escalões ser raridade, ainda.
No topo do executivo brasileiro, a presença feminina é uma novidade sem precedentes históricos, que só posso receber com minhas mais calorosas boas vindas.
E que faça um bom governo. O fato de agora ser uma mulher continua me parecendo praticamente irrelevante, em vista do que a cosa toda é, em que pese o talvez injustificável ineditismo.
Seja então bem vinda, presidente (ou presidenta) Dilma.
Na verdade nunca simpatizei muito foi com a ideia de mulher mandando, não no governo do meu país ou ocupando cargos de chefia em qualquer organização, mas mandando direta e pessoalmente mim. Aí não há entendimento.
Mas nossa sucessão presidencial teve por primeira vez duas mulheres na disputa, uma delas vencendo no segundo turno.
Quanto a mandar no governo do meu país, aí a história já pode ser bem outra. Nunca achei que saias (ou calças, por falar nisso) constituíssem, em si, qualquer garantia em nenhum governo. O que conta para bem governar, a meu ver, teria muito pouco que ver com diferenças pessoais puramente biológicas, tirante o fato de a presença de mulheres nos altos escalões ser raridade, ainda.
No topo do executivo brasileiro, a presença feminina é uma novidade sem precedentes históricos, que só posso receber com minhas mais calorosas boas vindas.
E que faça um bom governo. O fato de agora ser uma mulher continua me parecendo praticamente irrelevante, em vista do que a cosa toda é, em que pese o talvez injustificável ineditismo.
Seja então bem vinda, presidente (ou presidenta) Dilma.
Assinar:
Postagens (Atom)