Nama eu só tenho uma
e é do quanto dou conta
que a lua cheia desponta
e a saudade me verruma
Nama eu só tenho uma
já é o quanto me basta
à saudade que vergasta
meu peito não se acostuma
Nama é você, só uma
não tenho nem quero mais
prefiro te ter e em paz
do quê você se enciúma?
Nama, me queixo e reclamo
por ver menos que queria
cada noite e cada dia
nama e mulher: Te amo
sábado, 29 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
TRINTA E UM DE AGOSTO
Invariavelmente, a cada trinta e um de agosto torno a evocar uma recordação das mais gratas de minha vida. Lembro-me perfeitamente de como me senti a trinta e um de agosto em 78. Eu estava muito, muito feliz. Sentia-me em grandiosa sintonia com o universo inteiro, por assim dizer. Por exemplo, todas as várias canções que por acaso ouvi tocar em todos os lugares onde estive ou por onde passei naquele dia eram canções de que eu realmente gostava, e foram muitas mesmo, o que nunca me acontecera antes nem nunca mais me aconteceu depois, não que eu me lembre assim tão vivamente. Entrei em tal estado de graça numa barbearia qualquer para um simples corte de cabelo e gostei muito do trabalho de corte, como nunca antes nem depois me lembro de ter gostado. E foi uma profusão de coisas simples assim a me dar gosto atrás de gosto, o dia inteiro.
Eu era um jovem universitário, dava umas aulas pra ganhar a vida, nada muito de mais. Estava casado, e o casamento (ainda) ia muito bem. Também, era casamento bastante jovem e o primeiro. Eu ganhava mal à beça com minhas aulas, mas elas eram boas, bem melhores que as ocasionais de hoje. Claro que então eu sabia muito menos do que agora, mas tinha era muito gás, energia e entusiasmo pra dar e vender. Isso é coisa já não tenho mais não é de hoje, acho que perdi definitivamente. Sequer espero recuperar. Tivesse permanecido naquele primeiro emprego docente e a lei de então não tivesse mudado, pelas minhas contas, teria entrado com um pedido de aposentadoria em 2002, ou seja, dez anos atrás. Pelas regras de agora, só farei isso em 2021. Desse ponto de vista, nada mudou a meu favor.
É, mas esse trinta e um de agosto tão especial a que agora, mais que uma idade de Cristo depois, me refiro foi um dia em que me senti muito feliz, muito de bem com a vida e até mesmo menos mortal. Senti-me desse jeito por um motivo que depois ainda se repetiu por meia dúzia de vezes, em diferentes épocas e circunstâncias, todas elas sempre muito emocionantes, mas nunca exatamente como nessa. Simplesmente, eu estava sendo pai pela primeira vez.
Vi minha filha bem antes do horário de visita no hospital onde ela nascera, com coisa de uns dez, quinze minutos de nascida. Invadi todos os recintos daquela maternidade, ignorando solenemente as várias advertências de “não pode entrar aí não”, até finalmente ver Juliana, através de quem também tive mais tarde inaugurada minha condição de avô em 2000, eu aos 44 anos. Coincidentemente, fui pai por primeira vez aos 22, mesma idade que tinha a própria Juliana quando deu meu primeiro netinho, o Pedro Henrique, à luz.
Pedro Henrique era e ainda é um amor de menino, inteligente e comunicativo que só ele. Lembro perfeitamente da primeira vez que o vi (foram bem poucas as vezes que o vi), ele ainda bebê de colo. Ao me ver, ele abriu um sorriso que enquanto viver tenho certeza que lembrarei. Então, aquele bebê portador de DNA meu dava um sorriso que dizia tudo sobre amizade (que logo traduzi e interpretei logo como “eu gostei muito de você, viu vovô?”), isso num momento em que ele ainda nem sabia falar. Não sabia mas com aquele sorriso falou e disse tudo e mais qualquer coisa. Veio ele em seguida ao meu colo e cadê que queria sair. Nem pro da tia-avó dele, nem pro da avó materna, nem pro de mais ninguém presente ali. Só aceitou mesmo sair do meu pro colo da mãe dele, e ainda assim com um pouquinho relutância, ainda. Juliana também teve depois Melissa, minha segunda neta.
No mencionado primeiro casamento, fui ainda pai de Danusa (que tem duas filhas, Olivia [minha terceira neta] e Violeta [minha quarta neta]) e depois de Brenda (mãe do Theo, meu sexto e por enquanto mais novo neto, dado à luz no dia seguinte ao do meu quinquagésimo sexto aniversário, no mês corrente).
“Três meninas do Brasil, três corações democratas, três modernas arquiteturas, três simpatias mulatas”. Versos do Fausto Nilo que parecem referir-se, pra mim, ao que foi meu primeiro casamento, com esta série feminina.
Anos depois, tive um outro casamento com prole. Desta vez, uma série masculina: Ernani(de 88), Victor(de 89, pai este ano de Victor, meu quinto neto) e Cícero, que completou vinte anos ontem [parabéns atrasados por aqui, filho] .
Num terceiro casamento ainda fui pai de meu caçula e homônimo, que desempatou minha descendência de primeira geração pro lado masculino.
Mas por que cargas d'água estou hoje remexendo nesse acervo de dados autobiográficos? E por que é que estou blogando aqui no Bonde tantas reminiscências e considerações?
Sei lá, me deu na veneta. Deve ser porque hoje ainda é trinta e um de agosto.
Só pode.
Postagens anteriores relacionadas
Juliana http://neo-orkuteiro-bondeandando.blogspot.com.br/2008/11/juliana.html
Danusa http://neo-orkuteiro-bondeandando.blogspot.com.br/2008/11/danusa.html
Brenda http://neo-orkuteiro-bondeandando.blogspot.com.br/2008/11/brenda.html
João http://neo-orkuteiro-bondeandando.blogspot.com.br/2009/06/reencontro.html
Eu era um jovem universitário, dava umas aulas pra ganhar a vida, nada muito de mais. Estava casado, e o casamento (ainda) ia muito bem. Também, era casamento bastante jovem e o primeiro. Eu ganhava mal à beça com minhas aulas, mas elas eram boas, bem melhores que as ocasionais de hoje. Claro que então eu sabia muito menos do que agora, mas tinha era muito gás, energia e entusiasmo pra dar e vender. Isso é coisa já não tenho mais não é de hoje, acho que perdi definitivamente. Sequer espero recuperar. Tivesse permanecido naquele primeiro emprego docente e a lei de então não tivesse mudado, pelas minhas contas, teria entrado com um pedido de aposentadoria em 2002, ou seja, dez anos atrás. Pelas regras de agora, só farei isso em 2021. Desse ponto de vista, nada mudou a meu favor.
É, mas esse trinta e um de agosto tão especial a que agora, mais que uma idade de Cristo depois, me refiro foi um dia em que me senti muito feliz, muito de bem com a vida e até mesmo menos mortal. Senti-me desse jeito por um motivo que depois ainda se repetiu por meia dúzia de vezes, em diferentes épocas e circunstâncias, todas elas sempre muito emocionantes, mas nunca exatamente como nessa. Simplesmente, eu estava sendo pai pela primeira vez.
Vi minha filha bem antes do horário de visita no hospital onde ela nascera, com coisa de uns dez, quinze minutos de nascida. Invadi todos os recintos daquela maternidade, ignorando solenemente as várias advertências de “não pode entrar aí não”, até finalmente ver Juliana, através de quem também tive mais tarde inaugurada minha condição de avô em 2000, eu aos 44 anos. Coincidentemente, fui pai por primeira vez aos 22, mesma idade que tinha a própria Juliana quando deu meu primeiro netinho, o Pedro Henrique, à luz.
Pedro Henrique era e ainda é um amor de menino, inteligente e comunicativo que só ele. Lembro perfeitamente da primeira vez que o vi (foram bem poucas as vezes que o vi), ele ainda bebê de colo. Ao me ver, ele abriu um sorriso que enquanto viver tenho certeza que lembrarei. Então, aquele bebê portador de DNA meu dava um sorriso que dizia tudo sobre amizade (que logo traduzi e interpretei logo como “eu gostei muito de você, viu vovô?”), isso num momento em que ele ainda nem sabia falar. Não sabia mas com aquele sorriso falou e disse tudo e mais qualquer coisa. Veio ele em seguida ao meu colo e cadê que queria sair. Nem pro da tia-avó dele, nem pro da avó materna, nem pro de mais ninguém presente ali. Só aceitou mesmo sair do meu pro colo da mãe dele, e ainda assim com um pouquinho relutância, ainda. Juliana também teve depois Melissa, minha segunda neta.
No mencionado primeiro casamento, fui ainda pai de Danusa (que tem duas filhas, Olivia [minha terceira neta] e Violeta [minha quarta neta]) e depois de Brenda (mãe do Theo, meu sexto e por enquanto mais novo neto, dado à luz no dia seguinte ao do meu quinquagésimo sexto aniversário, no mês corrente).
“Três meninas do Brasil, três corações democratas, três modernas arquiteturas, três simpatias mulatas”. Versos do Fausto Nilo que parecem referir-se, pra mim, ao que foi meu primeiro casamento, com esta série feminina.
Anos depois, tive um outro casamento com prole. Desta vez, uma série masculina: Ernani(de 88), Victor(de 89, pai este ano de Victor, meu quinto neto) e Cícero, que completou vinte anos ontem [parabéns atrasados por aqui, filho] .
Num terceiro casamento ainda fui pai de meu caçula e homônimo, que desempatou minha descendência de primeira geração pro lado masculino.
Mas por que cargas d'água estou hoje remexendo nesse acervo de dados autobiográficos? E por que é que estou blogando aqui no Bonde tantas reminiscências e considerações?
Sei lá, me deu na veneta. Deve ser porque hoje ainda é trinta e um de agosto.
Só pode.
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sábado, 18 de agosto de 2012
Curiosidades Calendariais
Sábado, 18 de agosto de 2012.
Acho interessante saber também que 18 de agosto de 1900, 1928, 1956 e 1984 também caíram necessariamente em sábados.
Isto porque a cada 28 anos reinicia-se um novo ciclo de calendários, idêntico em tudo ao anterior e ao seguinte.
Minha mnemônica pra saber em que dia da semana caiu (ou cairá) qualquer data baseia-se numa melodia, feita com os dias da semana transformados em notas, dó para domingo, ré para segunda e assim por diante até si para sábado.
Existe um padrão nos calendários, Se o ano começa no domingo e não é bissexto, os doze dias primeiros serão
dó fá fá; si ré sol; si mi lá; do fá lá
Muito fácil confirmar isso num calendário. Vemos por exemplo que janeiro começa no domingo(dó), então os domingos desse janeiro só podem ser 1, 8, 15, 22 e 29. Com 29 domingo, temos 30 segunda(ré) e 31 terça(mi). O intervalo fixo para janeiro que começa no domingo (dó) termina na terça (mi), para fevereiro será sempre uma quarta justa, neste caso um fá.
Fevereiro tem 28 dias em ano não bissexto. Se não tem nesse caso o dia 29 que também seria quarta (fá), então março é que vai ser um mês fá. Março fá tem dia 29 quarta (fá), 30 quinta (sol) e 31 sexta (lá), dando um abril si, maio ré, junho sol, julho si, agosto mi, setembro la, outubro do, novembro fá e dezembro lá.
Com esta base, preenchendo verticalmente as seis notas seguintes até completar a escala a cada mês, formaremos todas as sete possibilidades para calendários de anos não bissextos, assim:
dó fá fá si ré sol si mi lá dó fá lá
ré sol sol dó mi lá dó fá si ré sol si
mi lá lá ré fá si ré sol dó mi lá dó
fá si si mi sol dó mi lá ré fá si ré
sol dó dó fá lá ré fá si mi sol dó mi
lá ré ré sol si mi sol dó fá lá ré fá
si mi mi lá dó fá lá ré sol si mi sol
Nos anos bissextos, que em janeiro e fevereiro nada têm de diferente, março está em intervalo de segunda (e não nulo ou de oitava), já que fevereiro tem 29 dias.
Em todos os séculos, o ano terminado na dezena 04 sempre é bissexto, bem como os terminados todas as outras que são múltiplas de 4 (04, 08, 12, 16, 20... até 00).
Um ciclo completo de 28 anos fica então assim:
ano dó, ano ré, ano mi, ano fá/sol(bissexto);
ano lá, ano si, ano dó, ano ré/mi(bissexto);
ano fá, ano sol, ano lá, ano si/dó(bissexto);
ano ré, ano mi, ano fá, ano sol/lá(bissexto);
ano si, ano dó, ano ré, ano mi/fá(bissexto);
ano sol, ano lá, ano si, ano dó/ré(bissexto);
ano mi, ano fá, ano sol, ano lá/si(bissexto)
e tudo se repete.
Não é interessante?
Acho interessante saber também que 18 de agosto de 1900, 1928, 1956 e 1984 também caíram necessariamente em sábados.
Isto porque a cada 28 anos reinicia-se um novo ciclo de calendários, idêntico em tudo ao anterior e ao seguinte.
Minha mnemônica pra saber em que dia da semana caiu (ou cairá) qualquer data baseia-se numa melodia, feita com os dias da semana transformados em notas, dó para domingo, ré para segunda e assim por diante até si para sábado.
Existe um padrão nos calendários, Se o ano começa no domingo e não é bissexto, os doze dias primeiros serão
dó fá fá; si ré sol; si mi lá; do fá lá
Muito fácil confirmar isso num calendário. Vemos por exemplo que janeiro começa no domingo(dó), então os domingos desse janeiro só podem ser 1, 8, 15, 22 e 29. Com 29 domingo, temos 30 segunda(ré) e 31 terça(mi). O intervalo fixo para janeiro que começa no domingo (dó) termina na terça (mi), para fevereiro será sempre uma quarta justa, neste caso um fá.
Fevereiro tem 28 dias em ano não bissexto. Se não tem nesse caso o dia 29 que também seria quarta (fá), então março é que vai ser um mês fá. Março fá tem dia 29 quarta (fá), 30 quinta (sol) e 31 sexta (lá), dando um abril si, maio ré, junho sol, julho si, agosto mi, setembro la, outubro do, novembro fá e dezembro lá.
Com esta base, preenchendo verticalmente as seis notas seguintes até completar a escala a cada mês, formaremos todas as sete possibilidades para calendários de anos não bissextos, assim:
dó fá fá si ré sol si mi lá dó fá lá
ré sol sol dó mi lá dó fá si ré sol si
mi lá lá ré fá si ré sol dó mi lá dó
fá si si mi sol dó mi lá ré fá si ré
sol dó dó fá lá ré fá si mi sol dó mi
lá ré ré sol si mi sol dó fá lá ré fá
si mi mi lá dó fá lá ré sol si mi sol
Nos anos bissextos, que em janeiro e fevereiro nada têm de diferente, março está em intervalo de segunda (e não nulo ou de oitava), já que fevereiro tem 29 dias.
Em todos os séculos, o ano terminado na dezena 04 sempre é bissexto, bem como os terminados todas as outras que são múltiplas de 4 (04, 08, 12, 16, 20... até 00).
Um ciclo completo de 28 anos fica então assim:
ano dó, ano ré, ano mi, ano fá/sol(bissexto);
ano lá, ano si, ano dó, ano ré/mi(bissexto);
ano fá, ano sol, ano lá, ano si/dó(bissexto);
ano ré, ano mi, ano fá, ano sol/lá(bissexto);
ano si, ano dó, ano ré, ano mi/fá(bissexto);
ano sol, ano lá, ano si, ano dó/ré(bissexto);
ano mi, ano fá, ano sol, ano lá/si(bissexto)
e tudo se repete.
Não é interessante?
terça-feira, 1 de maio de 2012
Aniversário
Está fazendo quatro anos que esse nosso Bonde (inaugurado em maio de 2008) percorre seus trilhos. Bem ou mal, ele está Andando.
Até aqui, foram quarenta e uma postagens no total (o que dá um pouco abaixo de uma por mês, na média) distribuídas muito irregularmente entre os períodos de atividade mais ou menos intensa e os de completa paralisação.
Pelo número de visualizações de página, acredito que ele se ache mais ou menos a meio caminho entre um estrondoso sucesso da blogosfera e um blog completamente ignorado. Nada mal, em qualquer caso. E os assentos ocupados por passageiros regulares já chegam a 99. Ê!
Tem início agora, então, o quinto ano de Blogspot com este primogênito Bonde e seus três irmãos mais jovens, ("Lexicografia" [23 postagens, 52 seguidores], "Me and My English" [20 postagens, 10 seguidores] e "En Français Aussi, Pourquoi Pas?" [14 postagens, 18 seguidores]). É irregularidade pra valer, irregularidade ... pra ninguém botar defeito.
O total de visualizações a meu perfil ainda não atingiu a cifra alcançada pelo Veleidades, que mantive por nada mais que um ano no extinto Globo Online.
Inicialmente, fiz deste Bonde um arquivo pessoal para as coisas que espontaneamente vou escrevendo, conforme o momento. Pessoal mas também público. Basicamente, firmei um compromisso tácito de aqui publicar sempre textos, somente textos, nada mais que textos. Nada de fotos, nada de vídeos, nada de mais nada. Nem sequer uma apresentação mais sofisticada dos próprios textos, com uso de html, opções de fontes, cor, tamanho, movimento, emoticons, nada. Pura, purissimamente, uma amostra do que posso oferecer como leitura a estes passageiros a quem sou todo agradecimentos. Não se trata nem minimamente de objeção minha essas coisas. Na verdade eu as aprecio, e até bastante em determinados casos. Só que desde a primeira postagem, nunca tive a mínima preocupação de natureza 'decorativa' com este espaço. Optei por cuidar dele de outra maneira e acho que é só isso. O próprio nome do blog tem que ver com meu relativamente tardio ingresso na blogosfera.
No interagir com os prezados colegas blogueiros, fui criando ou adotando certos critérios para a própria blogagem. Nada de muito rígido. Por exemplo, se algum comentarista incia um diálogo aqui no blog, é também aqui que costumo responder. Via de regra, repito suas próprias palavras de despedida, quando é o caso. Abraço=abraço, beijo=beijo, e por aí vai. A leitura e a consequente interpretação ou as impressões de cada leitor sobre o que escrevo são invariavelmente enriquecedoras das minhas próprias, sempre agregam valor e são evidentemente muito bem vindas.
Muitas das pessoas que aqui chegam eu só conheço virtualmente. A estas, não faço uma ideia muito clara de que impressões pessoais transmito. O que suponho já ter deixado desde o início clara e inequívoca é minha pretensão de ser tão bom condutor e anfitrião quanto posso. O bonde merece.
Hoje dou virtualmente uma festa no Bonde
É chegada a parada pra comemorar
Ergo o brinde, e cem taças que estão nem sei onde
Batem cá um tim tim que começo a escutar
Quatro anos de estar ora longe ora perto
Ora aqui, ora aí, ora até de não estar
Quatro anos de braços, coração aberto
Quatro anos nos trilhos, sem descarrilar
Até aqui, foram quarenta e uma postagens no total (o que dá um pouco abaixo de uma por mês, na média) distribuídas muito irregularmente entre os períodos de atividade mais ou menos intensa e os de completa paralisação.
Pelo número de visualizações de página, acredito que ele se ache mais ou menos a meio caminho entre um estrondoso sucesso da blogosfera e um blog completamente ignorado. Nada mal, em qualquer caso. E os assentos ocupados por passageiros regulares já chegam a 99. Ê!
Tem início agora, então, o quinto ano de Blogspot com este primogênito Bonde e seus três irmãos mais jovens, ("Lexicografia" [23 postagens, 52 seguidores], "Me and My English" [20 postagens, 10 seguidores] e "En Français Aussi, Pourquoi Pas?" [14 postagens, 18 seguidores]). É irregularidade pra valer, irregularidade ... pra ninguém botar defeito.
O total de visualizações a meu perfil ainda não atingiu a cifra alcançada pelo Veleidades, que mantive por nada mais que um ano no extinto Globo Online.
Inicialmente, fiz deste Bonde um arquivo pessoal para as coisas que espontaneamente vou escrevendo, conforme o momento. Pessoal mas também público. Basicamente, firmei um compromisso tácito de aqui publicar sempre textos, somente textos, nada mais que textos. Nada de fotos, nada de vídeos, nada de mais nada. Nem sequer uma apresentação mais sofisticada dos próprios textos, com uso de html, opções de fontes, cor, tamanho, movimento, emoticons, nada. Pura, purissimamente, uma amostra do que posso oferecer como leitura a estes passageiros a quem sou todo agradecimentos. Não se trata nem minimamente de objeção minha essas coisas. Na verdade eu as aprecio, e até bastante em determinados casos. Só que desde a primeira postagem, nunca tive a mínima preocupação de natureza 'decorativa' com este espaço. Optei por cuidar dele de outra maneira e acho que é só isso. O próprio nome do blog tem que ver com meu relativamente tardio ingresso na blogosfera.
No interagir com os prezados colegas blogueiros, fui criando ou adotando certos critérios para a própria blogagem. Nada de muito rígido. Por exemplo, se algum comentarista incia um diálogo aqui no blog, é também aqui que costumo responder. Via de regra, repito suas próprias palavras de despedida, quando é o caso. Abraço=abraço, beijo=beijo, e por aí vai. A leitura e a consequente interpretação ou as impressões de cada leitor sobre o que escrevo são invariavelmente enriquecedoras das minhas próprias, sempre agregam valor e são evidentemente muito bem vindas.
Muitas das pessoas que aqui chegam eu só conheço virtualmente. A estas, não faço uma ideia muito clara de que impressões pessoais transmito. O que suponho já ter deixado desde o início clara e inequívoca é minha pretensão de ser tão bom condutor e anfitrião quanto posso. O bonde merece.
Hoje dou virtualmente uma festa no Bonde
É chegada a parada pra comemorar
Ergo o brinde, e cem taças que estão nem sei onde
Batem cá um tim tim que começo a escutar
Quatro anos de estar ora longe ora perto
Ora aqui, ora aí, ora até de não estar
Quatro anos de braços, coração aberto
Quatro anos nos trilhos, sem descarrilar
sexta-feira, 23 de março de 2012
Uma Homenagem Póstuma
Nosso Bonde começou a circular faz quase três anos. Nunca publiquei nada aqui que não fosse integralmente de minha autoria. Mas hoje abro mão deste princípio para inserir um monólogo do qual gosto muito. Lá vai:
MONÓLOGO MUNDO MODERNO
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
MONÓLOGO MUNDO MODERNO
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
sábado, 10 de setembro de 2011
Joshua Bell no metrô
Joshua Bell é um músico ainda relativamente jovem mas já bem consagrado. Ele normalmente se apresenta para apreciadores de boa música em lugares altamente sofisticados com seu extremamente raro, caro e bem tocado violino.
Recentemente ele tocou por mais de meia hora numa estação de metrô americana. Não foi reconhecido nem conseguiu arrebatar a atenção dos que entravam e saíam com a pressa costumeira.
Reconhece-se o grande valor artístico de algo (ou alguém) que se encontra dentro de determinado contexto. Fora dele, no entanto, um artista renomado passa facilmente por um obscuro aspirante à notoriedade.
Se um chef dos mais exitosos do mundo passasse coisa de uma hora dentro de um quiosque bem simples numa esquina movimentada de qualquer metrópole oferecendo amostras de suas requintadas iguarias, será que elas seriam devidamente apreciadas? Se um detentor do prêmio Nobel aparecesse sozinho numa praça e discursasse sem dizer quem era nem mencionar seu prêmio, será que muitos parariam para ouvi-lo? Sabe-se lá.
Márcio Borges conta em livro um episódio ocorrido com Milton Nascimento. Sem documentos, ele teve problemas na entrada para um mega evento do qual participou, no Rio de Janeiro. Segundo um dos escaldados seguranças, parece que vários sósias já haviam tentado se aproveitar da semelhança (reforçada por um boné) para não pagar ingresso. Claro que o verdadeiro Milton acabou entrando, mas dadas as circunstâncias não foi com a facilidade que se poderia razoavelmente esperar.
Conta-se que Charlie Chaplin participou incógnito de um concurso de sósias de seu personagem. Foi ao evento caracterizado, inscreveu-se normalmente e... perdeu. Fazer o que? Outros concorrentes se pareciam mais com Carlitos do que seu próprio criador.
É sabido que as estrelas midiáticas costumam recorrer a variados disfarces para evitar o indesejado reconhecimento em certos lugares públicos. São atletas, políticos, artistas, empresários, que vivem fugindo de paparazzi.
Entretanto, existem notoriedades discretas. Por exemplo, cada uma das tantas especialidades da medicina tem seu expoente, mas quem é que sabe o nome de um notável alergologista, urologista, obstetra, traumatologista, e olha que a lista é longa. Pergunte por aí quantos juízes do trabalho as pessoas conhecem por nome, fora um certo Nicolau de avô homônimo. Muito improvável.
Acho possível que a experiência com Joshua Bell e seu violino tivesse igual resultado com Ana Vidovic e seu violão, ou até com Kenny G e seu sax (desde que ele não tocasse o tema de Dying Young). Fora do habitual contexto, bem que poderiam igualmente ficar irreconhecíveis e não ser lá muito apreciados.
Foi graças a um e-mal que recebi de minha amiga escritora, artista plástica e também passageira aqui do bonde Terê Tavares que fiquei sabendo deste grande artista. Gostei do que vi e ouvi por primeira vez na vida. Se tivesse um tempinho e me achasse exatamente onde se deu a mencionada apresentação, pelo que me conheço tenho certeza que me deteria nem que só um pouco para apreciar. Faço isso sempre que algum artista anônimo de rua mostra alguma coisa que me pareça interessante. Muita vez é mesmo.
Recentemente ele tocou por mais de meia hora numa estação de metrô americana. Não foi reconhecido nem conseguiu arrebatar a atenção dos que entravam e saíam com a pressa costumeira.
Reconhece-se o grande valor artístico de algo (ou alguém) que se encontra dentro de determinado contexto. Fora dele, no entanto, um artista renomado passa facilmente por um obscuro aspirante à notoriedade.
Se um chef dos mais exitosos do mundo passasse coisa de uma hora dentro de um quiosque bem simples numa esquina movimentada de qualquer metrópole oferecendo amostras de suas requintadas iguarias, será que elas seriam devidamente apreciadas? Se um detentor do prêmio Nobel aparecesse sozinho numa praça e discursasse sem dizer quem era nem mencionar seu prêmio, será que muitos parariam para ouvi-lo? Sabe-se lá.
Márcio Borges conta em livro um episódio ocorrido com Milton Nascimento. Sem documentos, ele teve problemas na entrada para um mega evento do qual participou, no Rio de Janeiro. Segundo um dos escaldados seguranças, parece que vários sósias já haviam tentado se aproveitar da semelhança (reforçada por um boné) para não pagar ingresso. Claro que o verdadeiro Milton acabou entrando, mas dadas as circunstâncias não foi com a facilidade que se poderia razoavelmente esperar.
Conta-se que Charlie Chaplin participou incógnito de um concurso de sósias de seu personagem. Foi ao evento caracterizado, inscreveu-se normalmente e... perdeu. Fazer o que? Outros concorrentes se pareciam mais com Carlitos do que seu próprio criador.
É sabido que as estrelas midiáticas costumam recorrer a variados disfarces para evitar o indesejado reconhecimento em certos lugares públicos. São atletas, políticos, artistas, empresários, que vivem fugindo de paparazzi.
Entretanto, existem notoriedades discretas. Por exemplo, cada uma das tantas especialidades da medicina tem seu expoente, mas quem é que sabe o nome de um notável alergologista, urologista, obstetra, traumatologista, e olha que a lista é longa. Pergunte por aí quantos juízes do trabalho as pessoas conhecem por nome, fora um certo Nicolau de avô homônimo. Muito improvável.
Acho possível que a experiência com Joshua Bell e seu violino tivesse igual resultado com Ana Vidovic e seu violão, ou até com Kenny G e seu sax (desde que ele não tocasse o tema de Dying Young). Fora do habitual contexto, bem que poderiam igualmente ficar irreconhecíveis e não ser lá muito apreciados.
Foi graças a um e-mal que recebi de minha amiga escritora, artista plástica e também passageira aqui do bonde Terê Tavares que fiquei sabendo deste grande artista. Gostei do que vi e ouvi por primeira vez na vida. Se tivesse um tempinho e me achasse exatamente onde se deu a mencionada apresentação, pelo que me conheço tenho certeza que me deteria nem que só um pouco para apreciar. Faço isso sempre que algum artista anônimo de rua mostra alguma coisa que me pareça interessante. Muita vez é mesmo.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Ab-obrinhas ad nauseam
Cá entre nós, se um eminente cirurgião viesse a público pela televisão ou internet e falasse insistentemente em pulmãos ou coraçãos, qualquer pessoa minimamente informada haveria no mínimo de estranhar, não? Será que um profundo conhecedor de algum assunto cometeria reiteradamente erro tão grosseiro? Parece-me absolutamente implausível.
Agora, quando se trata dos tais dos "illuminatis" (assunto que virou moda e por isso mesmo está fora da minha área de interesse, de passagem se diga), aí o que não falta é palestrante para 'esclarecer' o grande público com seu vasto e respeitável conhecimento, que só não inclui o plural correto do próprio assunto. Illumintis? Haja!
Um sujeito diz por aí que a língua inglesa foi inventada por esses tais 'illuninatis'. Como prova, apresenta o fato de god (deus) em inglês ser dog (cão) de trás pra frente. Pode? E parece convencer. É inacreditável. É pra rir, pra chorar, ou pra conspirar?
Vir a público falar disparates agora é bom? Pois parece.
Delírios assim contam com uma audiência imensa, ávida de informação. Parece que as pessoas estão de bom grado, apaixonada e credulamente engolindo uma quantidade sem precedentes de "fatos" que não resistiriam ao mais superficial exame.
A propósito, você já ouviu dizer que o ano corrente tem uma determinada combinação de dias em certos meses que só se repete uma única vez a cada oitocentos e não sei quantos anos? Mandaram-me (várias pessoas) tal preciosidade por e-mail. De onde diabos tiraram isso? A cada vinte e oito anos o calendário forçosamente se repete. O corrente calendário é exatametne o mesmo de 1955 e 1983, e servirá também para 2039, etc. Bastaria conferir.
Percebo uma incrível disposição coletiva para acreditar em qualquer besteira. E tome besteiras. Talvez uma frase de Schoppenhauer explique o fenômeno. Segundo ele, a quantidade de boatos em que um homem acredita é inversamente proporcional a sua inteligência. Os espalhadores de boatos, os proclamadores de solenes abobrinhas, estes estão deitando e rolando, o mar pra eles está pra peixe, sim. Nunca se deram tão bem porque a crise de inteligênci nunca esteve tão severa.
O exemplário de asnices é tão longo que acho melhor o bonde hoje ir parando por aqui, mesmo.
Agora, quando se trata dos tais dos "illuminatis" (assunto que virou moda e por isso mesmo está fora da minha área de interesse, de passagem se diga), aí o que não falta é palestrante para 'esclarecer' o grande público com seu vasto e respeitável conhecimento, que só não inclui o plural correto do próprio assunto. Illumintis? Haja!
Um sujeito diz por aí que a língua inglesa foi inventada por esses tais 'illuninatis'. Como prova, apresenta o fato de god (deus) em inglês ser dog (cão) de trás pra frente. Pode? E parece convencer. É inacreditável. É pra rir, pra chorar, ou pra conspirar?
Vir a público falar disparates agora é bom? Pois parece.
Delírios assim contam com uma audiência imensa, ávida de informação. Parece que as pessoas estão de bom grado, apaixonada e credulamente engolindo uma quantidade sem precedentes de "fatos" que não resistiriam ao mais superficial exame.
A propósito, você já ouviu dizer que o ano corrente tem uma determinada combinação de dias em certos meses que só se repete uma única vez a cada oitocentos e não sei quantos anos? Mandaram-me (várias pessoas) tal preciosidade por e-mail. De onde diabos tiraram isso? A cada vinte e oito anos o calendário forçosamente se repete. O corrente calendário é exatametne o mesmo de 1955 e 1983, e servirá também para 2039, etc. Bastaria conferir.
Percebo uma incrível disposição coletiva para acreditar em qualquer besteira. E tome besteiras. Talvez uma frase de Schoppenhauer explique o fenômeno. Segundo ele, a quantidade de boatos em que um homem acredita é inversamente proporcional a sua inteligência. Os espalhadores de boatos, os proclamadores de solenes abobrinhas, estes estão deitando e rolando, o mar pra eles está pra peixe, sim. Nunca se deram tão bem porque a crise de inteligênci nunca esteve tão severa.
O exemplário de asnices é tão longo que acho melhor o bonde hoje ir parando por aqui, mesmo.
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