domingo, 17 de abril de 2016

Dia D, Hora H

Participei muito discretamente do atual momento político.
Minha voz não chega a tanta gente quanto acredito que pudesse ser útil a esta causa. Por isso mesmo, nem este blog nem qualquer outro espaço virtual onde me apresento me serviram até o momento como tribuna.
Meus textos são invariavelmente ignorados por muitos. Alongo-me natural e deliberadamente, para melhor me expressar de acordo com alguma ideia, opinião, inspiração que tenha. Isto só já afugenta um bom número de pessoas que de alguma forma me conhecem. E já me proporciona uma espécie de "seleção natural" que para mim, neste caso, chega a ser conveniente. Os que não gostam de ler nem sequer vêm aqui, onde praticamente nada mais que palavras, que textos encontrarão. E ponto.
Já os que leem habitualmente e graças a isso têm referências culturais suficientes, em geral não só leem como apreciam meus escritos, concordando ou não com minhas ideias. Quando aqui se manifestam em comentários são sempre respeitosos, atinados, nada radicais nem superficiais, nem exageradamente nada. Correspondem, assim, perfeitamente ao que lhes ofereço em termos de comportamento: urbanidade, respeito incondicional às pessoas, essas e muitas outras coisas. O retorno que obtenho é, para mim, qualitativamente satisfatório.
Assim, por mais modestamente que seja, tenho meu leitorado. É com este leitorado que dialogo. Um leitorado plural, variado, includente, no qual nem todos se parecem comigo ou são meu espelho. Nem todos torcem pelo meu Botafogo ou pelo meu Internacional (sou gaúcho). Nem todos são neutros como eu em assuntos religiosos, nem todos comungam de todas as minhas ideias e preferências, o que é simplesmente natural e não faz sentido para mim buscar outro leitorado, que seja quantitativamente mais expressivo mas com gente que se comporta em público em completo desacordo com a maneira como eu mesmo me comporto, em público ou não. Nunca xingo, nunca insulto, nunca ofendo ninguém. A forma sutil que descobri de não convidar quem faz habitualmente tudo isso sem precisar ser explícito a este respeito foi esta, e tem funcionado muito bem. Os precipitados de língua geralmente não leem textos um pouquinho mais longos. Fico livre deles, assim. Quem aqui chegar com intenções de trolagem, por exemplo, simplesmente não se sentirá à vontade, se chegar a perceber que destoa não só do meu discurso, como também do de todos os demais comentaristas.
Mas hoje vim tocar o Bonde com outro assunto. O título já diz do que se trata. Neste domingo que nacionalmente promete um fervilhamento de opiniões, de ocorrências, etc., venho falar um pouquinho sobre a situação atual do país conforme a vejo.
Não pretendo soar paladino, dono da verdade ou coisa assim. Venho apenas externar algumas opiniões minhas a meu modo em meu próprio espaço virtual.
Acho um pouco ridícula essa divisão da opinião pública entre dois times: o dos coxinhas e o dos petralhas.
Mas a divisão aí está, ela já se impôs e não há nada que eu possa fazer a respeito disso; não é por declarar aqui que a acho ridícula que alguma coisa relevante acontecerá no sentido de dissolvê-la ou sequer de enfraquecê-la. Sou realista e sei que me dirijo a pouca gente, pelos motivos já mencionados e por outros.
Tenho amigos virtuais em ambos os times. Ninguém é ou deixa de ser meu amigo só por vestir esta ou aquela camisa.
Um amigo inclusive se manifestou sobre isto de uma forma interessante. Ele não é nem coxinha nem petralha e aponta o desconforto que sente ao não apoiar nenhuma dessas duas 'facções'. Ambas parecem cobrar-lhe uma posição. Então ele publicou alguma coisa dessas prontas em que o autor não é identificado. O questionamento ali apontava para quatro questões: Dá pra defender esse governo que aí está? Dá pra apoiar essa oposição que aí está? Dá para acreditar nessa imprensa que aí está? Dá pra dialogar com esse povo que aí está?
A mais óbvia resposta seria um sonoro NÃO para todas.
Já fui de odiar. Odiei o governo militar quando ainda era um jovem universitário. Odiei o Chagas Freitas, em quem via apenas uma figura pública cheia de demagogia, dono de um daqueles jornais que exploravam o agrado popular pela crônica policial sensacionalista, dos quais se dizia que se a gente torcer, sai sangue, bem ao agrado de uma fração da população que talvez jamais chegue a entender o que é o PIB.
Odiei muito o Amaral Neto, que se aproveitando dessa fácil instilação de ódio no povo puxou um plebiscito pela pena de morte no Brasil. Cheguei a escrever uma carta aberta para mandar aos principais jornais dizendo que esse plebiscito não contaria com meu voto favorável nem se me garantissem que a pena de morte seria revogada logo após a primeira e única execução, do próprio Amaral Neto.
Pois nesse 2016 completarei 60 anos. Não me acho mais em idade de odiar ninguém.
Ser um desses 'justiceiros' baratos para atrair com pura e cínica demagogia um grande número de adesões a essas 'ideias' de sempre mas bolsonarianas, datenianas e quejandas, para atualizar um pouco, é coisa que está completamente fora de questão, como sempre esteve e estará.
Mas essa instilação de ódio fácil e bem sucedida continua me incomodando porque vejo seus frutos.
Salta aos olhos, para mim, a superficialidade de quem propõe ou engole esse tipo de discurso.
Alinho-me com os que parecem pensar, refletir. Vendo os vídeos do professor Karnal, por exemplo, o povo ganharia muito mais. Mas são vídeos que falam de coisas mais profundas, de maneira muito bem fundamentada. Naturalmente, os que os assistem, compreendem e opinam são em média pessoas de escolaridade bem mais alta.
Uma ótima piada dele diz mais ou menos: "Se fosse assim, seria fácil. Eu trocaria Hamlet por Paulo coelho e seria feliz." Está num vídeo onde ele discorre interessante e ponderadamente sobre essa coisa de haver um único culpado por todos os males do país, que bastaria "fritar" para os problemas todos acabarem, principalmente no que diz respeito a corrupção.
Não posso concordar com os demagogos de agora, esses que instilam esse visível e denso ódio nos que aceitam suas alegações e manobras.
Sou de um tempo em que já se falava o diabo de dois poderes: o executivo e o legislativo. Isso aconteceu inclusive em todos os governos anteriores ao presente século, sem exceção. E a corrupção já corria solta, também, naqueles antigamentes. Mas o judiciário sempre me parecera, se não inatacável, ao menos inatacado. Alguma coisa havia ali que não dava margem à opinião pública para falar "isso" deles. Mas lá se foi esse tempo.
Hoje temos juízes claramente partidários, clara e totalmente comprometidos com resultados previamente arranjados. Quem conhece o "Le Monde" não diria que ele se alinha ou identifica com a nossa banda 'petralha'. Pois justamente ali saiu recentemente uma matéria sobre o Brasil que claramente apontava entre várias outras coisas nada recomendáveis esse caráter seletivo da nossa justiça. Como brasileiro, só consegui sentir vergonha, vergonha do fato de alguns de nossos magistrados, inclusive notáveis e descendentes de notáveis juristas, terem perdido a vergonha.
Envergonhadamente, tenho dito.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Babelcube

Entrei para a Babelcube no início deste ano.

É uma empresa relativamente nova que funciona basicamente online onde autores e tradutores independentes de quase qualquer lugar do mundo se encontram e fazem interessantes parcerias. A remuneração contratada para cada trabalho de tradução fica na base de um percentual sobre as vendas do respectivo produto. Achei ótima a ideia. Inscrevi-me então lá tanto como tradutor quanto como autor. Meu livro Poesia Amadora agora está permanentemente oferecido a quem o queira traduzir para qualquer língua. Parece que até o momento ninguém se habilitou ainda, mas traduzir poesia é coisa bem complicada, mesmo. São bem poucos os trabalhos nessa linha que vi por lá até o momento.

Sou tradutor profissional desde 1985. Já traduzi praticamente de tudo, textos técnicos, material para uso interno em grandes empresas, material acadêmico, e muitos etcéteras, inclusive alguns livros.

Minha média de livros traduzidos por ano estava na base do zero vírgula alguma coisa até o ano passado, antes de eu descobrir esta interessante possibilidade, já que nesses trinta anos cheios de atividade traduzi menos de trinta títulos, uns vinte só, se tantos, alguns dos quais eu nem sequer soube se foram publicados.

Com a modernidade e a descoberta da Babelcube, isso mudou completamente.

Pela ordem, comecei traduzindo por lá um livro americano de que gostei, passando por todo o processo normal de propor, traduzir uma amostra, receber a aprovação do autor, fechar o contrato e executar a tarefa. Fiz tudo isso e a obra ainda se acha no prelo, ou 'aguardando publicação', como eles dizem lá. Chama-se How to Publish Your Book, de Justin Sachs. É uma obra interessante, cheia de dicas para quem escreve, como como escrever uma boa carta-consulta para editoras e muitas outras coisas. Especialmente interessante para escritores que queiram entrar no mercado americano, é óbvio.

Em seguida peguei para traduzir The long Cutie, de Dan Alatorre . Mesma coisa e mesmo resultado que a obra anterior. No prelo ainda, só que desta vez o autor me avaliou com cinco estrelinhas e o seguinte comentário: "Great job! Highly recommended". E não é que eu comecei a gostar dessa trabalhosa brincadeira?

Escolhi em seguida um autor italiano, Roberto Coppola, cuja obra original se chama Anche Tu Poliglotta. Esta tradução já foi publicada e está disponível em forma de e-book em diversos canais, sob o título Você Também Poliglota em minha tradução ao português. Traz uma porção de dicas para a poliglotização autodidática, avalia e sugere alguns métodos e oferece um curioso plano pelo qual qualquer pessoa disposta a fazer sua parte poderá se comunicar razoavelmente bem em quatro línguas estrangeiras no curto prazo de dois anos. O autor também me deu as cinco estrelinhas lá, pela tradução que fiz.

Traduzi depois ainda de um autor espanhol, José Vicente Alfaro, o interessante romance El Llanto de la Isla de Pascua para o português. Já entreguei a tradução completa, que por ora como todas as demais menos uma ainda se acha 'aguardando publicação'. Também não consta ainda ali nenhuma avaliação do autor.

Nesse ínterim, um autor brasileiro chamado Johann Heyss me solicitou a tradução de um de seus livros, Iniciação à Numerologia, para o italiano. Vi que o referido livro já fora traduzido para o inglês (pelo próprio autor), francês, alemão e espanhol. Passei pelo processo, traduzi uma amostra que ele aprovou e assim mais um contrato Babelcube foi fechado. Estou trabalhando nessa tradução, pra a qual solicitei um prazo confortável de modo a poder caprichar na tradução e também aceitar possíveis novas solicitações sem grandes aperreios.

E não é que as novas solicitações estão chegando mesmo? Um autor italiano, Demetrio Verbaro, me solicitou a tradução de seu Il Carico della Formica para o francês. Já fechamos contrato e acho-me agora traduzindo de uma língua estrangeira para outra pela Babelcube. Neste caso conto ainda com uma parceira francófona para a revisão final de meu texto em francês, cujo nome não consta no contrato porque sua inscrição na Babelcube não estava completa durante esta negociação. Mas trata-se de pessoa bem próxima a mim com quem já fiz várias outras parcerias antes sem jamais termos tido qualquer tipo de problema.

Uma autora italiana recentemente me procurou para traduzir um livro seu ao inglês. Mandei-lhe ontem a pequena amostra, que ela ainda não avaliou. Caso fechemos contrato, já será o sétimo deste ano e mais uma tradução que farei de uma língua estrangeira para outra, o que só muito raramente me foi solicitado em todas essas décadas de mangas arregaçadas. Coisas da Babelcube.

Não faço ainda a mínima ideia de que retorno financeiro obterei com estes esforços tradutórios. É muito cedo para qualquer tipo de especulação minha neste sentido. Cada livro novo que seja lançado se sairá como o mercado bem entender. Não existem garantias possíveis de vendas mínimas, até onde eu saiba, até porquê isso nem seria possível. Acredito que alguns dos livros que já traduzi ou estou traduzindo possa desempenhar bem, caso em que até que enfim me verei mesmo decentemente remunerado. Não tenho expectativas mirabolantes, mas faz sentido esperar retorno compatível com o esforço que despendo e com a qualidade que faço absoluta questão de imprimir ao meu trabalho. Ainda na hipótese de todas as minhas traduções acabarem tendo um desempenho medíocre em termos de vendas, terei pelo menos um bom número de trabalhos realizados recentemente que podem por falar por si só e constituir-se em prova de minha capacidade de trabalho, de minha versatilidade e competência linguística, o que afinal de contas para alguma coisa haverá de me servir, pelo menos no sentido de conferir visibilidade ao que faço, o que sempre é útil.

Tenho divulgado estes trabalhos pelas redes sociais que frequento, agora mesmo estou fazendo isso aqui no Bonde que assim volta a andar. Pode não ser muita coisa, mas estou convencido de que algum efeito positivo mesmo este pequeno esforço de divulgação que venho fazendo acabará por surtir.

domingo, 12 de abril de 2015

Durante a Parada Do Bonde

Muita coisa aconteceu nesses quase dois anos. De longe, foi o maior intervalo entre duas postagens por aqui. Venho hoje reativar este blog. Um punhado de explicações de cunho necessariamente autobiográfico se impõem. Talvez elas próprias ultimamente me viessem fazendo adiar este momento um tanto acanhado, em que me consulto sobre meu próprio querer ou não, encarar ou não, já que não existe impedimento concreto algum para esta ressurreição da minha vida de blogueiro.
De alguma forma, sinto como se eu agora estivesse reinaugurando o Bonde. Conheço bom número de blogs que após um recesso que se pretendia relativamente curto, simplesmente nunca mais...
Ver o abandono de vários espaços virtuais que frequentei como leitor é uma coisa, fico aqui só imaginando o que teria acontecido e se eu ainda visitarei e verei novidades em cada um daqueles espaços que continuam na blogosfera, para como antes ler, deixar comentários, essas coisas, não é? Agora, chato mesmo é perceber como eu próprio também, sem mais nem menos, abandonei meus blogs sem dar qualquer explicação, nem sequer para mim.
O entusiasmo que me movia a escrever na blogosfera já vai longe. Não me pergunte por quê, que isso eu também não sei, embora ainda tenha intenções por assim dizer proustianas de recuperação do tempo perdido.
O ano de 2013 foi pontuado de problemas específicos, entre os quais pouco trabalho e consequentemente pouco dinheiro e consequentemente acho que nem preciso continuar. Sofri inclusive a perda total de um PC, com tudo o que nele havia sem backup: pesquisas, ensaios, trabalhos da mais variada natureza. Salvou-se apenas o que existia em cópia, na Dropbox, no e-mail em pen drive. Se foi algum vírus ou o quê, acabei nem descobrindo.
No segundo semestre, participei de um treinamento que durou duas semanas num curso de idiomas. Gostei, já não dava aulas fazia coisa de uma década. Precisava mesmo de alguma atualização para “desenferrujar”. Com gosto percebi que havia outros colegas da minha faixa etária entre os candidatos treinandos e até professores que já estavam trabalhando lá. Reencontrei, por exemplo, uma colega de faculdade de cujo paradeiro eu não fazia a mínima ideia há mais de vinte anos. Demoraram um pouco para me chamar, parecia que tinham esquecido de mim, acabei só começando pra valer em dezembro, coisa de três meses após o tal treinamento. Foi um período de agitação, de movimento. Só o fato de estar trabalhando justificava os longos deslocamentos diários em transportes públicos normalmente apinhados não só para ir e voltar como também para transitar entre as empresas onde dava minhas aulas. Foi bem mais irritante e cansativo do que eu me lembrava, mas ganhei um olhar bem mais positivo graças ao ingresso de algum dinheirinho que eu podia ter por mais ou menos certo. Tudo isto durou quinze meses, nos quais conheci pessoas, fiz bons contatos e amizades, exercitei novamente minhas antigas habilidades profissionais, muita coisa boa, mesmo. Só que acabou. Esse tipo de experiência de trabalho normalmente é efêmero, pelo menos comigo sempre foi e as exceções que conheço são bem poucas. Com certeza vou me lembrar de mais essa por um bom tempo.
Comprei outro computador em 2014 (já estou terminando de pagar as prestações) e reiniciei minhas atividades virtuais meio precariamente, pois praticamente já não dispunha mais de tempo. Apareceu então um anúncio da Amazon oferecendo autopublicação numa modalidade que eu desconhecia. Não havia despesas. Era só mandar a obra e eles publicavam. Tive considerável trabalho para juntar o material (a maior parte extraído deste blog) e depois colocar tudo no formato correto, sem saber patavina de artes gráficas. Pelo menos eu entendo bem inglês, o que com certeza foi uma dificuldade a menos. Sei de autores que se viraram com tradução de Google, na mesma situação. Fico só imaginando a dificuldade destes.
Mas o livro acabou saindo. Chama-se Poesia Amadora e Prosa. Está lá, no site
http://www.amazon.com/Poesia-Amadora-Portuguese-Jo%C3%A3o-Esteves/dp/1502736195/
Não empreendi grandes esforços promocionais, ainda. Quem comprar pelo link acima paga $8,38, mais o frete; se for para o Brasil, a compra sai por uns quinze dólares, conforme eu mesmo experimentei, só para conferir.
Nessa linha de autopublicação, descobri outro site chamado Babelcube, um lugar virtual onde autores e tradutores do mundo inteiro se encontram. Fiz meu cadastro e escolhi para traduzir como experiência o trabalho do americano Justin Sachs chamado How To Publish Your Book. Fiz assim uma primeira tradução, que entreguei no dia 4 passado. Ainda não tenho notícias, mas ainda é cedo, pois o processo inteiro que vem depois da entrega da tradução pode realmente demorar um pouco.
O fato é que agora já sou um autor publicado e ainda tenho um considerável campo novo para explorar como tradutor. Tudo graças a essas novidades de que talvez sequer tomasse conhecimento se tivesse perdido de uma vez por todas o contato com o mundo virtual.
Chegou enfim a hora de reativar este blog, e a presente postagem bem pode significar um reinício de atividade virtual intensiva. Pelo menos assim espero. Fico aguardando direitinho como ficava em outros tempos a possível chegada de leitores que aqui deixem seus comentários. O Bonde volta a circular como outrora, antes desse longo recolhimento, mas tudo agora me parece novo. Sinto-me como a conduzi-lo em sua viagem inaugural.

sábado, 17 de agosto de 2013

Uma de meu Baú

Hoje tiro de meu baú um texto que escrevi há exatos vinte e sete anos, em 1986. Não acho que seja o caso de fazer qualquer atualização. Segue como foi originalmente escrito.

PARA VOCÊ LER, COM TODA A DESATENÇÃO QUE DISPENSA NORMALMENTE A LEITURAS DISPENSÁVEIS

Impossível que assim não seja. O pacto aqui é de ócio, mesmo. Encontram-se, por mero acaso, um leitor desinteressado e um autor desinteressante, cada qual no seu papel, à falta de o que mais fazer.
Assim, ao dirigir-lhe a desnecessária palavra, sinto que somos igualmente culpados.
Puro passatempo. Nada, pois, de tentar entender, ou pior, compreender o sentido de minhas palavras. Por deliberação própria, elas não pretendem dizer nada mesmo, pretensão esta que garantidamente hão de cumprir.
Também, por que é que em vez de minhas insossas palavras, você não está lendo agora um desses clássicos imortais, hein? Ah, e se estrangeiro, no original.
Que nada. Pelo fato de ainda estar me lendo até agora, você sem dúvida nenhuma é daqueles que quando dá pra evitar um clássico nem por um segundo hesitam. Evitam, mesmo.
Nada há de errado com os tão reputados clássicos, mas eles nos predispõem negativamente. Um Homero, um Virgílio, um Camões, e todos os demais dessa mesma laia de gigantes, já de saída se nos assomam como qualquer coisa da qual estaríamos, no barato, a quilômetros de distância (e aquém, ainda por cima). Daí nossa indisposição para com aquele tom que se nos afigura pedantesco, aquela inatingibilidade sadicamente calculada, que já de cara nos humilha.
Profundidade demais, assim, não há medíocre que agüente. Muito aborrecidos, afinal, esses tais clássicos universais. Eu os acho.
Depois, cá entre nós, pra que diabos ficar escarafunchando os fundilhos da alma humana num cruel semi-desnudamento de certas verdades vá lá que profundas, mas sempre desencantadoras?
Depois ainda, pra que refletir? Isso é coisa só para uns poucos. Só mesmo certas aves raríssimas, detentoras daquela inegável superioridade que mais as estigmatiza do que distingue.
Mediocridade, ignorância, isso sim. É tão menos inquietante, tão menos diferenciador, tão menos raro, tão mais cômodo, tão mais igualante, tão mais e tão menos sei lá o quê mais. Nós, os oligofrênicos, os néscios, os apedeutas, os indoutos, os iletrados, os analfaburros, nós, o que mais nos chamem-nos Eles, nós é que formamos a esmagadora maioria. Sempre o fizemos, e digam o que quiserem dizer os advogados da falaz massificação da cultura, sempre a constituiremos. Por desconhecermos (eis o nosso verbo) nossa força, ignoramos também nosso direito à dignidade.
UNAMO-NOS JÁ. Está na hora da tomada de consciência! Vamos ecoar aos quatro ventos o som, mesmo que desafinado, de nosso hino-grito-de-guerra:
- O BURRO/ UNIDO/ JAMAIS SERÁ VENCIDO!
- O BURRO/ UNIDO/ JAMAIS SERÁ VENCIDO!
Percebe como não há sofrimento na leitura das banalidades ou baixezas produzidas por estilistas incompetentes? É que a gente não cresceu, não se aperfeiçoou, não evoluiu, não aprendeu porríssima nenhuma, e nada aconteceu contra nossa integridade de medíocres, nem contra nosso amiúde minúsculo amor-próprio. A única mudança (mas esta é inevitável) terá sido o envelhecimento correspondente ao tempo consumido na leitura de tais besteiras. Ah, mas os “outros” leitores também estão envelhecendo. Pelo menos quanto a eles, bem feito!
Normalmente, a gente nem se dá conta do envelhecimento. Cada segundo passado é um a mais na nossa idade, e um a menos na felizmente impredizível distância que nos aparta da morte.
Na infinita e cruel moção do tempo, lá vamos nós todos, os coevos do presente, sabendo muito bem pra onde e, a rigor, nada mais sabendo de certo. Quando sentimos a morte aproximar-se (o que já vinha acontecendo desde o nascimento, ou melhor, desde a concepção), é porque na verdade ela já chegou. Aí...
Destino comum, ela é fim necessário para toda e qualquer vida individual. E no geral, a vida continua. Sempre.
Chegar, ela chega mesmo, se se nasceu. Fatalmente, ela chega.
Última visita desagradável que temos de receber, é sempre na pior hora que ela chega, e raramente a convite. Nunca é bem-vinda e, pela idade que mesmo não aparentando com certeza ela tem, a pobrezinha já deve estar pra lá de acostumada a ser recebida do jeito que é, sempre sob protestos, com toda aquela choradeira e a maior má vontade.
Agora vir, ela vem mesmo. Isso é que vem.
E vem a pretexto de qualquer coisa, quando não sem pretexto nenhum, logo. Existem óbitos explícitos: causa mortis DESCONHECIDA.
Morre-se de medo, sim, mas também se morre ao manifestar coragem demais. De vergonha se morre, mas também de sem-vergonhice. De calor, mas também de frio. De sede se morre, mas de mitigar imoderadamente a sede também. Em qualquer lugar tem gente nas ruas morrendo de fome. A comida de rua também mata, e deve ser por isso mesmo que as mães costumam recomendar aos filhos que a evitem. Se doenças matam, por mais ridículo que pareça, e que me desculpem a franqueza os médicos e demais profissionais de saúde, no fim das contas o próprio exercício da medicina também mata de vez em quando, em seu próprio afã de atrasar ao máximo a visita garantida e inevitável da morte.
Morre-se em conseqüência de erros, tanto próprios como alheios. Mas também se morre, e muito, em conseqüência de acertos os mais variados (acerto de contas, acerto de pontaria, e por aí vai). E também tem gente aí morrendo por conta dos mais diversos desacertos.
Os versáteis, os que justificadamente se orgulham de tocar bem vários instrumentos, falar bem várias línguas, usar bem várias ferramentas, deveriam ver na morte o mais exponencial exemplo de versatilidade.
Não há nada de que ela não saiba como servir-se, e com que eficiência! Diga aí qualquer coisa que você acredita que não mate. Mesmo que nós não conheçamos nenhum caso de quem tenha morrido justamente dessa causa aí, é só “ela” ouvir e pronto, logo começarão a aparecer os primeiros óbitos.
Vejo a morte a servir-se igualmente de cada coisa... e também de seu contrário (que juntos formam uma coisa só). Ódio mata, amor também. Veneno mata, seu antídoto também. Uma arma mata, sua falta também. O ar (por exemplo, injetado na veia com uma seringa), a falta de ar; a pressa (no trânsito, nos herdeiros), e a falta de pressa. As batidas (em todos os sentidos dos respectivos homônimos), mais parto, aids, velhice, criancice, overdose (de qualquer coisa, pois tudo tem sua dose letal), cachaça, salário-mínimo, tudo isso comprovadamente mata melhor que Django e Sartana ao cubo.
Que posso fazer? É continuar, caneta a uma das mãos, a outra na consciência tão cheia da certeza de sua vinda como da ignorância de quando.
Paro aqui, ou prossigo? É claro que vai dar exatamente na mesma. O certo é que a morte vem. Nem adianta. E sempre restará muito mais por fazer do que o somatório do já feito.
O tempo disponível nunca foi nem jamais será suficiente para que bem possamos apreciar tudo quanto há de bom, por exemplo. Mas não dá, mesmo! Urge limitarmo-nos apenas ao melhor, e ainda assim com certas reservas. Não há tempo. Não há.
E aí você, sem nenhum espanto, lendo tudo o que eu escrevi e que sabida e consentidamente não leva e nem era pra levar a parte alguma, enquanto impiedoso e invariavelmente mal aproveitado, o tempo nem por um único instante parou de fazer o que só sabe: ir passando..., passando..., passando..., passando... ... ... ... .. .
Quanto desperdício! Considerável, mas dificilmente evitável desperdício.
Pela trigésima vez na vida, consegui desperdiçar um mais um ano inteiro, confesso. Isto porque hoje é dezoito de agosto. E sabe do que mais? Nutro ainda por cima uma baita duma esperança de alcançar a graça (sei lá que graça isso tem, mas vá lá) de ainda ter direito a muitos e muitos outros anos só para poder desperdiçá-los todinhos, vez após vez. Inescapável.
Fazer o quê com o tempo? Os anos nos ensinam coisas que os dias simplesmente não sabem, nem podem saber. E eu agora começo a ter consciência das décadas. Elas também, por sua vez, nos ensinam coisas que os anos simplesmente não sabem, nem podem saber. Estou entrando em minha quarta década, que se completará ainda dentro deste moribundo século. Na virada do novo século e milênio, estarei a meados da minha quinta década, a completar-se em dois mil e seis. E assim vai, e assim eu vou, ou melhor, os dias, os anos e as décadas vão me levando. E fica sempre aquela inevitável sensação de que a vida é curta. Pode ser. Mas também se faz bastante, se experimenta bastante, se sofre bastante, e no fim das contas a vida talvez nem seja mesmo tão curta assim como a queremos perceber. Poupar o tempo não dá. Nem emprestá-lo, nem roubá-lo, nem pô-lo a render ágio, nem aplicá-lo no open, nem depositá-lo como tudo o que tenho em minha ridícula conta corrente Bradesco, nem carregá-lo nos bolsos, nem especular com ele na bolsa, nem nada disso. Dá? Pra nada do que se faz com dinheiro o tempo serve. Não consigo entender por que cargas d'água tanta gente por aí acredita tão piamente que tempo é dinheiro. Cambada de débeis mentais!
Não posso permitir-me uma recomendação final de jamais desperdiçar seu precioso tempo! Se a fizesse, seria feia hipocrisia de minha parte. Que exemplo eu mesmo dou nesse sentido? E você também, ainda lendo essas minhas baboseiras trintonas. Logo eu, o maior descumpridor dessa enfim supérflua regra do não-desperdício. Que fique claro: eu desperdiço apenas meu tempo, já que a situação não me permite desperdiçar mais nada, pois mais nada eu tenho pra desperdiçar. Senão...
Pois o que eu lhe digo, amigo leitor, é bem outra coisa: desperdice, desperdice mesmo, dissipe, esbanje, inaproveite, jogue fora, seja um perdulário de mão (temporariamente) cheia para seu tempo, livre ou não. Encontre a melhor maneira, e seja feliz. Pinte os canecos enquanto dona morte não vem. Quando dona morte chegar...
Olha, nada de ficar esperando, tá? Como você bem sabe, ela não tem hora mesmo, né?
Ciao!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

23 de Janeiro

O desembarque de D João VI e família real na Bahia deu-se em 1808, exatamente a vinte e três de janeiro. Faz exatamente 204 anos. Também o abalo sísmico que fez o maior número de vítimas fatais da história deu-se nesta data, em 1556, e atingiu as províncias chinesas de Shaanxi, Shanxi e Henan, causando a morte de 830 mil pessoas. João Maurício de Nassau chega ao Recife em 1637. Fundação do Instituto Butantã (São Paulo, Brasil,1901). Em 1997 entra em vigor a cobrança da CPMF nas movimentações bancárias no Brasil e o então ator global Guilherme de Pádua é condenado a dezenove anos de prisão pelo assassinato da atriz Daniela Perez. Nasceram Grigori Rasputin, místico russo (1864 – m. 1916); Deolindo Amorim, propagador do Espiritismo no Brasil (1906 – m. 1984); Django Reinhardt, músico belga (1910 – m. 1953); Jeanne Moreau, atriz francesa (1928); Joãozinho Trinta, coreógrafo e carnavalesco brasileiro (1933 – m. 2011); João Ubaldo Ribeiro, escritor brasileiro (1941); Vital Farias, cantor e compositor brasileiro (1943); Henrique da Costa Mecking (Mequinho), enxadrista brasileiro (1952); Princesa Caroline de Mônaco, princesa monegasca, filha do Príncipe Rainier (1957); entre outros notáveis. Morreram o Marquês de Sapucaí (1875 – n. 1793); Salvador Dalí, pintor espanhol (1989 – n. 1904); entre outros.

Pincei estes dados meio aleatoriamente na página do dia da Wikipédia. http://pt.wikipedia.org/wiki/23_de_janeiro

Mas vinte e três de janeiro é data gravada indelevelmente em minha outrora tão boa, hoje tão má memória, por motivo outríssimo. Neste dia e no meu ano nasceu uma amiga bióloga e tradutora cujo paradeiro atualmente ignoro, e também uma amiga da minha filha de quem falo aqui, chamada Maybell, que tem um filhinho chamado João e agora espera outro, como soube pelo Facebook, mas principalmente foi o dia em que nasceu Danusa, que não é (pelo menos até agora, que eu saiba) famosa nem virou verbete de nenhuma enciclopédia. Lembro ainda claramente como foi difícil o parto. Eu estava com vinte e três. O ano: 1980.

Em idade escolar, Danusa lembrava a Mônica do gibi e seus colegas eram uns Cebolinhas, Cascões e companhia. Só faltava o coelhinho.

Outra recordação dessa época é ela chorando, e exatamente assim explicando seu medo de pular uma poça d’água: “Eu sou estabanada!”

Mais crescidinha, revelou um certo talento dramático que sempre admirei babosamente, agregue-se aí um pouco de corujice minha, vá lá, mas enfim um talento. Fazia imitações muito boas, que sempre foi atenta observadora de trejeitos pessoais em praticamente todo mundo. A única vez que fui a um teatro sem qualquer informação sobre a peça nem a direção nem nada foi no Teatro do Sesc. Eu só queria ver subirem ao palco duas atrizes de idêntico DNA. Vi-me por assim dizer inteiro naquele palco, cinquenta por cento em cada uma daquelas duas atrizes jovens, belas, talentosas, bem deixa eu parar de desfilar adjetivos pra elas aqui porque meu vocabulário todo fica pobre pra refletir todas as boas qualidades que nelas eu via e continuo vendo.

Estaria Danusa já pelos quatorze, quinze anos, quando lhe perguntei de que maneira ela queria ser feliz na vida. Nunca mais esqueci. Segundo sua imaginação adolescente, dava muito bem pra ser feliz “pilotando” um fogão, cuidando da casa, das crianças (no plural, mesmo), essas coisas. Só? Só. A simplicidade daquela resposta me impressionou profundamente. Achei-a sábia. E logo eu, que torço até pela felicidade de pessoas que nem sequer conheço ou até pela de quem não gosto mesmo, quanto mais então pela dela, que eu amo
anos-luz mais do que dá pra dizer
.

Num dos livros do Velho Testamento, o dos Provérbios, no capítulo 14, verso 1, lê-se: “Toda mulher sábia edifica a sua casa; ...”.

Pois a (pra mim) principal aniversariante do dia cursou filosofia na UFRJ, pedagogia na UERJ, tudo isso enquanto trabalhava na Funarte (uns dez anos ao todo), mas sua vida agora é bucólica, com suas lindinhas Olívia e Violeta.

O número de vezes que a vi nessa última meia dúzia de anos, do casamento dela pra cá, dá pra contar nos dedos. E sobram mais dedos do que os contados. Ela ficou morando naquele lugar que achei muito, mas muito bonito, longe dos meus olhos, no interior de Minas.

Feliz, como muito improvavelmente ainda se lembre hoje que um dia me disse que queria ser, mas enfim feliz, isto é o que importa, e eu gosto muito de saber que assim é.

Feliz aniversário, querida.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Toque mais, Toca!

Acho-me imbuído de uma agradável esperança, por assim dizer, pra este ano ainda pirralho.

Se na área das finanças ele não for pra mim bem melhor do que foi o defunto fresco seu antecessor, tanto pior, a essa altura do campeonato, mas ainda assim o mundo garantidamente continuará com seus movimentos habituais de rotação e translação e todos os etcéteras que venham ao caso, com muita coisa boa ainda reservada, apesar do perigosamente provável desequilíbrio entre minhas colunas pessoais do deve e do haver. No entanto, até pra isso deve haver alguma saída.

O que agora contemplo com o maior otimismo é o que este ano promete representar pra meus castigados ouvidos. Sim, porque pelo visto será um ano musical, com bastantes instâncias de agrado pra eles.

Tive a oportunidade de finalmente conhecer meu neto Victor, filho de outro Victor, meu filho. Embalei-o e o pus a dormir cantarolando as mesmas velhas canções que também cantarolei pra outros bebês. Parece que os bebês realmente apreciam que se cante pra eles, mesmo que se tenha voz de barítono. Por sorte minha eles nem são lá muito exigentes quanto à qualidade técnica do canto, o negócio é só cantar, mesmo.

Em seguida rumei pra Copacabana, neste último dia 31, e conheci algumas pessoas, revi inclusive um artista em formação que é apenas dois anos mais velho que meu primeiro neto. Em família chamam-no de Toca, ou Toquinha, suponho que desde sempre.

Vimos da multidão na praia a tradicional queima dos fogos, fui depois disso dormir onde tenho escova, toalha e chinelos e ao cair da tarde do primeiro dia deste ano visitamos esse jovem pianista. Havia apenas cinco almas presentes: ele, seus pais, a tia dele pelo lado materno e eu. Cinco almas pra quem boa música surte igualmente bons efeitos. Ouvi-lo mostrar tão descontraidamente seu variado repertório foi tão agradável, que pouco faltou pra nós todos esquecermos que o dia seguinte não seria feriado, não.

Hoje pra mim está sendo outro marco biográfico, meu filho mais novo acaba de completar dezoito anos. Daqui pra frente, já não tenho mais filhos menores. E viva a maioridade!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Aquele Poema.


A professora Gerlane, da Bahia, tem um blog chamado Aquele Poema. Nele, autores e textos são apresentados. Os alunos trabalham de várias maneiras com este material, eles declamam e ilustram poemas por exemplo.
Ela me convidou a participar de seu interessante projeto educativo. Claro que aceitei. Para tanto, enviei-lhe alguns poemas e gravei um vídeo de acordo com o que combináramos, que pus no YouTube, em meu canal.
O vídeo foi enriquecido com música e legendas. O resultado foi este:


Como alguns amigos a quem enviei este vídeo não conseguiram ouvir bem, decidi transcrever na íntegra.

"Olá.
Estou aqui gravando este vídeo para participar, em atendimento ao gentil convite da professora Gerlane do projeto Aquele Poema.
Meu nome é João Esteves, eu sou tradutor-intérprete e nas horas vagas um versejador. Escrevo na internet e acho que literatura é uma arte muito bela. Gosto dos bons autores, dos clássicos de todos os tempos, inclusive tenho acesso a clássicos em várias línguas e é saboroso deleitar-me com bons versos. Tento produzir alguns próprios, vez por outra. Recomendo muito que quem gosta de escrever poesia se dedique a conhecer tratados de versificação, conhecer as regras, conhecer os gêneros, conhecer os bons poetas.
Vou participar aqui com um poema meu, que compartilharei. Esse eu compus baseado na vida real, num episódio de visita que eu tive quando meu filho tinha 11 anos e eu já não o via há mais ou menos um ano. Foi uma breve visita que me pegou de surpresa e assim que ele saiu, alguns minutos depois, me sobrevieram os seguintes versos:

REENCONTRO
Nada tiraria,
nada, nesse dia,
toda essa alegria
do meu coração:
Hoje eu vi João!
Hoje eu vi João!

Quero uma harmonia
rica de poesia
para qualquer dia
pôr numa canção
Já que vi João!
Já que vi João!

Fico embevecido
vendo-o tão crescido
vendo-o tão bonito
vendo-o um rapagão
Como vi João!
Como vi João!

Fez o meu retrato
muito bem, de fato
Eu fui retratado
a tocar violão
Por você, João!
Por você, João!

Talentoso é
pode, se quiser
no desenho ter
uma profissão
Se quiser, João!
Se quiser, João!

Logo, Joãozinho
com irmão e tio
segue seu caminho
volto à solidão
Mas eu vi João!
Mas eu vi João!

A felicidade
ganhou, de verdade
visibilidade
com explicação:
É que eu vi João!
É que eu vi João!

Cantar, bem queria
pudesse, o faria
a voz soltaria
todo afinação
Pra você, João!
Pra você! "