sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Breguices de que eu gosto

Deu-me agora na veneta vir aqui ao Bonde com esse título, a que deliberadamente dei lá um quezinho de gaiato.
Não sou nem nunca fui humorista, mas vez por outra me dá esse comichão de tentar fazer certas gracinhas, pra lá de ciente de que não sou nem um tiquinho engraçado. Sei disso desde quando, ainda em idade pediátrica, eu recontava as piadas que tinha ouvido, principalmente quando mais tarde as reouvia, só que... bem contadas. Minhas versões assim contrastadas normalmente ficavam devendo a própria essência do humor: graça. Naquela época, acho altamente improvável que para alguém eu pudesse soar sério, solene, impostado, pedante, como em fase adulta devo ter soado muita vez, ainda que sempre involuntariamente, fazer o quê, né?
Mas então, tudo o que aqui seguir será decorrência do título, recorrência a ele, digressão de minha parte com promessa de retomada do fio condutor ou o que mais bem queira ir saindo, como que automaticamente, no correr da pena.
Aliás, já sem pena nenhuma há muito. Quase não vejo mais, atualmente, minha própria caligrafia, creio que agora mais garranchosa ainda, em grande parte por conta da falta de exercício.
Digitar já é bem outra história. Tenho prática à beça nessa coisa, que venho exercitando bastante e há décadas, muito embora ainda seja tão mau digitador quanto o era no tempo em que a isto ainda se dava o agora insólito nome de datilógrafo, com minhas Remingtons e Olivettis de então. Não faço a mínima ideia da razão de eu ainda não ter um desempenho satisfatório, de profissional, neste caso, seja no quesito velocidade ou no correção. Sei apenas que falta de exercício é que não é, nem jamais poderia ser. Escrevi foi muito à máquina, por décadas e mais décadas a fio.
Nem imagino falta de quê, então. Mas se fosse tratar aqui de faltas, de carências, de insuficiências, do jeito que a coisa anda difícil em relação a encontrar trabalho ao menos decentemente remunerado, o título que escolhi seria absolutamente descabido.
Retomo-o então, pois. Vim hoje falar de certas breguices de que gosto, muito em especial de certas breguices musicais.
Minha classificação dessas canções como breguices obviamente nada pretende ter de 'oficial', longe disso. Nem sequer é do meu conhecimento a existência de qualquer indicador bregométrico, confiável ou não. Pois que sejam então breguices apenas algumas canções que eu, por inteira conta e risco próprios, considero, como direi, meio breguinhas, mas das quais, ainda assim, eu gosto. Naquela base do 'você artisticamente não vale nada, mas eu gosto e você e tudo o que eu queria era saber por quê".

Claríssimo está que não conto com (na verdade sequer espero) a concordância de algum leitor, no caso de alguém vir a ler o presente post nesse Bonde mais para parado do que seu nome sugere.
Minha ideia, então, não é de modo algum discutir o que é e o que não é brega. Aberto estou a todas as eventuais opiniões que se apresentem aqui, declarando à guisa de prolepse [ou resposta antecipada a objeções previstas, pra quem já esqueceu o que é isso] que as considero todas igualmente válidas, por mais conflitantes que se revelem entre si ou com a minha.
O espaço de comentários estará aberto e poderá ser utilizado para contestar, corrigir, opinar, etc. e tal, como aliás sempre esteve. A diferença é só que hoje optei por, já desde o titulo, ser um pouco mais provocador que meu habitual. Quem sabe não se trate de uma coisa não conscientizada que se deve ao fato de que já não compareço aqui há muito, que agora levanto essa (espero que) amena polêmica opinativa.
Faço isto sem preder de vista que principalmente em público ainda prezo muito minha costumeira neutralidade quanto à maioria dos temas polêmicos que vejo discutidos de foma absurdamente apaixonada internet a fora: política (argh!), religião, sei lá mais quantos desses temas essencialmente indigestos, a julgar pelo que observo nas tão exageradas reações. Pessoas chegam ao ponto de perderem toda a urbanidade e compostura, não raro por dê cá aquela palha, o que é muito lamentável, muito triste.
Retornando então a minhas breguices favoritas, lembrando de todas as devidas ressalvas que já fiz.

A primeira que me ocorre é esta:
http://www.youtube.com/watch?v=1ceVfQg7Z4o

A cantora é Joanna e a canção é Chama. Pois é, eu gosto mesmo dessa letra, e também da música e da interpretação dela. Quem não conhece talvez sequer perceba a breguice. Neste caso sugiro que se dê o trabalho de ouvir mais coisas do repertório desta artista e tirar suas próprias conclusões. Ah, também gosto de Vertigem, com ela.

Segue, pela ordem de chegada a minha lembrança, mais uma que é mui adequadamente das antigas, agora interpretada por Nilton César. Quem quiser conferir repare só nos 'erres' dele. A Namorada que Sonhei. Eivada à alma de legítima breguice em minha nada abalizada opinão bregológica, mas ao mesmo tempo assim bem bonitinha, sincera, de uma singeleza quase infantil, que me agrada o gosto ao ponto da excepcional inexigência. Mandei de presente minha própria interpretação dela ao violão, num solinho tecnicamente danado de ruim e super mal gravado, mas com intenção perfeitamente reconhecível, exatamente num dia dos namorados. E quem recebeu este 'presentinho' ainda me disse que gostou. e eu areditei, mesmo. A gravação que fiz ainda está nesse computador, só que nunca mais sairá dele pra lugar nenhum. Missão cumprida. Conservação por conta de minha leve síndrome de Diógenes. Que minhas breguices não saiam do âmbito doméstico a não ser em palavras, por exemplo em postagens sobre meu gosto musical. Eis a canção:
http://www.youtube.com/watch?v=pv3nodauhu0

Claro que o tema é perfeitamente retomável a qualquer momento, mas por ora já justifiquei meu titulo com essas duas canções e chega de escrever textão. Aos possíveis comentaristas lembro que discordar é seu direito. O mais provável é que eu continue achando breguinhas essas canções, não importa que argumentos se apresentem em contrário. Caso algum me convença, reformulo. E tenho por praticamente que continuarei gostando delas, sejam quais forem os argumentos com intenção dissuasiva.

Convido por fim aos possíveis leitores e comentaristas que também sugiram aqui o que em sua opinião forem boas canções bregas. Estou consciente dos riscos que corro, de fazer desta página uma bregolândia só, quem sabe cheia de canções que não gosto. Mas tudo bem, gosto não se discute mesmo.

2 comentários:

Maria das Graças Lacerda disse...

João, vou pensar com carinho nesse seu seu caso à la breguice, e prometo que volto com uma lista tão grande, mas tão imensa, que vc vai ter que parar para respirar e tomar fôlego, muitas e muitas vezes!...Aguarde-me.
Um abraço gigante para você!

João Esteves disse...

Voê aqui é sempre bem vinda, Graça. Suas listas (ou listagens) igualmente. Abraço gigante.